Com mais de 1.500 pessoas afetadas pelas chuvas que castigaram João Pessoa na última semana, o debate sobre o cancelamento das festividades do São João promovido pela Prefeitura da capital, ganhou força na Câmara Municipal, nesta quinta-feira (7).
De um lado, parlamentares defendem que a festa seja cancelada ou reduzida, com os recursos redirecionados para quem perdeu tudo nas enchentes. De outro, surgem propostas alternativas para manter o evento com menos gastos.
O vereador Guga Pet (PP) está entre os que defendem o cancelamento total do evento. “Convocar os vereadores que destinaram emendas para a Funjope, que a gente possa rever isso e doar para realocar os recursos para poder ajudar as famílias que mais precisam e perderam tudo. São João a gente vai ter todo ano”, disse o parlamentar.
Na mesma linha, Fábio Carneiro (Solidariedade) também descartou a possibilidade de grandes shows acontecerem neste momento. “Não tem como as grandes bandas virem aqui, tocar uma hora e ir embora com mais de R$ 1 milhão de reais, nesse momento de crise financeira na Prefeitura e essa questão das chuvas, é impossível a gente aceitar”, afirmou.
Já Mô Lima (PP), que também é músico, apresentou uma saída intermediária para realizar o evento, mas apenas com artistas de cachê menor. “A solução é contratar só os artistas pequenos, que têm cachê abaixo de R$ 100 mil, R$ 50 mil. Tem artistas, trios pé-de-serra em João Pessoa, que passam o ano inteiro esperando para tocar, seja numa quadrilha junina, no bairro, ou em algum evento, e vai ganhar entre R$ 3.500 e R$ 5 mil reais”, propôs.
A discussão acontece no contexto de uma semana difícil para a capital paraibana. De acordo com a Defesa Civil, as inundações e alagamentos afetaram diretamente 1.540 pessoas, com 72 desabrigadas, 117 desalojadas, 7 feridas e 29 enfermas. Não houve registro de mortes.
A Prefeitura já destinou mais de R$ 1,3 milhão para ações emergenciais e acionou o programa Cuidar do Lar para reformar as casas mais danificadas. Nesta quinta-feira (7), o prefeito Leo Bezerra ampliou a assistência com os programas Compra Assistida e Eu Posso, voltados à aquisição de imóveis para tirar famílias de áreas de risco, além de solicitar recursos federais para reforçar as ações.
PB Agora