A deflagração da Operação Zona de Influência, da Polícia Federal, repercutiu nesta terça-feira (29) na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) e provocou manifestações de vereadores da oposição e da base do prefeito Leo Bezerra (PSDB).
O líder da oposição, Milanez Neto (MDB), cobrou uma postura mais firme do prefeito diante dos desdobramentos da investigação. Para o vereador, a administração municipal precisa adotar medidas que evitem que as suspeitas envolvendo agentes públicos atinjam a imagem da gestão.
Milanez afirmou que já houve outros afastamentos de integrantes da administração municipal durante a atual gestão e demonstrou preocupação com os reflexos das investigações no cenário eleitoral.
“O que a gente espera é que o processo de 26 não seja contaminado como foi o processo de 24. O processo de 24 realmente ficou manchado, ficou marcado, e eu espero que termine o processo de 2026 com uma política cada vez mais transparente e limpa”, declarou.
Apesar das críticas, o líder da oposição disse não acreditar em envolvimento direto do prefeito Leo Bezerra nas suspeitas investigadas. Segundo ele, cabe ao gestor adotar medidas para preservar a administração.
“Eu não acredito no envolvimento do CPF do prefeito Leo. Mas o prefeito Leo precisa ter a firmeza necessária para fazer essa limpa, para que a Prefeitura Municipal tenha a cara dele, não a cara da gestão anterior”, afirmou.
Base defende prefeito e pede cautela
Na outra ponta, o líder do governo na Câmara, Bruno Farias (Avante), saiu em defesa de Leo Bezerra e afirmou que não há, até o momento, uma operação contra o prefeito ou contra a Prefeitura de João Pessoa.
“Não existe nenhuma operação contra a Prefeitura de João Pessoa, nem contra o prefeito Leo Bezerra. Fazer qualquer tipo de ilação nesse sentido, além de injusto, é absolutamente ilegal”, disse.
Bruno também defendeu cautela em relação às acusações envolvendo Júnior Pires, que ocupava o cargo de secretário do Procon-JP e foi afastado cautelarmente por 90 dias no âmbito da operação.
O vereador destacou que o ex-secretário terá direito à ampla defesa e ao contraditório e afirmou não saber se as medidas determinadas pela Justiça Eleitoral estão relacionadas às eleições de 2024 ou ao atual processo eleitoral.
“É preciso que a gente tenha prudência, equilíbrio, para não destruir a reputação de quem quer que seja e não fazer também ilações que, repito, são injustas, são ilegais e são imorais”, afirmou.
Ex-secretário deixa o cargo
Júnior Pires apresentou pedido de exoneração do cargo após ser afastado cautelarmente pela Justiça Eleitoral. O pedido foi aceito por Leo Bezerra.
A Operação Zona de Influência investiga uma suposta negociação de apoio político-eleitoral entre agentes políticos e integrantes de uma facção criminosa com atuação em comunidades da Paraíba.
Segundo a Polícia Federal, a investigação apura suspeitas relacionadas ao controle territorial de comunidades, entrada de candidatos durante atos de campanha, pagamentos, custeio de despesas de um centro comunitário e tratativas envolvendo cargos e empregos na administração pública.
Durante a operação, foram apreendidos R$ 220 mil.
A defesa de Júnior Pires nega envolvimento com organizações criminosas ou qualquer negociação de apoio político com facções. Segundo os advogados, o ex-secretário pretende se dedicar à própria defesa e colaborar com as autoridades responsáveis pela investigação.
Redação
