Nem todo trabalho recompensa. E nem todo trabalho retribui o esforço na mesma proporção. Essa talvez seja uma das maiores frustrações de quem passa boa parte da vida trabalhando: perceber que dedicação, cansaço e responsabilidade nem sempre se transformam em uma remuneração capaz de proporcionar qualidade de vida.
Existe um ditado que diz que “não há pobreza que aguente 14 horas de trabalho”. Eu nunca gostei muito dele. Porque a pergunta que vem depois é inevitável: essas 14 horas vão ser pagas como?
Porque não basta trabalhar muito. É preciso que o trabalho permita viver.
Não adianta passar 10, 12 ou 14 horas trabalhando, chegar em casa exausto e, no fim do mês, descobrir que tudo o que ganhou já está comprometido com o básico: comida, moradia, contas e transporte.
E onde fica a recompensa?
Onde está o dinheiro para uma viagem? Para uma roupa nova? Para uma boa comida? Para sair com a família? Para simplesmente comprar alguma coisa porque você quis, e não porque precisava?
Não estou falando de luxo. Estou falando de qualidade de vida.
É claro que nem todo trabalho terá a mesma remuneração. Nem todo esforço terá o mesmo retorno financeiro. Mas existe uma diferença enorme entre trabalhar para construir alguma coisa e trabalhar apenas para conseguir chegar ao mês seguinte.
O problema não é trabalhar muito. É trabalhar muito e sentir que todo esse esforço só foi suficiente para manter a vida funcionando.
Quando isso acontece, o cansaço deixa de ser apenas físico. Ele se transforma em frustração. Porque a pessoa olha para a própria rotina e pensa: estou trabalhando tanto, mas para onde estou indo?
Talvez seja por isso que a quantidade de horas trabalhadas não possa ser usada, sozinha, como medida de sucesso.
Trabalhar muito é esforço. Mas esse esforço também deveria permitir que a gente desfrutasse da vida que está trabalhando tanto para sustentar.
No fim, nosso trabalho deveria produzir mais do que cansaço.
