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Muito barulho, pouca novidade

A política também é feita de expectativa. Mas, quando a expectativa criada é maior do que o conteúdo entregue, o resultado pode ser exatamente o contrário do pretendido.

Na Paraíba, o deputado estadual Sargento Neto criou ontem um clima de suspense ao anunciar que faria um pronunciamento capaz de “impactar as eleições”. A declaração naturalmente despertou curiosidade, ganhou repercussão e virou assunto em sites e redes sociais. Qual a novidade? O que ele iria revelar? Qual o impacto?

Hoje veio então o grande anúncio que impactaria as eleições: o deputado, que é do PL, decidiu que vai intensificar a campanha do senador Flávio Bolsonaro, também do PL, nesta reta final da eleição e promover um adesivaço.

O problema é que não havia exatamente uma novidade. Sargento Neto já é aliado de Flávio Bolsonaro, já declara apoio à sua candidatura e ambos pertencem ao mesmo partido. Portanto, anunciar que continuará fazendo campanha para o candidato que já apoia está muito mais próximo de uma estratégia de comunicação do que de um fato capaz de mudar o cenário eleitoral.

É aí que surge uma questão incômoda: até que ponto a política acredita que precisa transformar qualquer movimento em um grande acontecimento?

Criar suspense para entregar algo previsível pode até garantir alguns minutos de atenção, mas também revela uma comunicação baseada no barulho. E, quando o barulho termina e não há novidade por trás dele, sobra apenas a sensação de que se tentou transformar o ordinário em extraordinário.

E o que mais causa incômodo é que o episódio também expõe uma característica recorrente da comunicação política bolsonarista: muita provocação, muita expectativa, muita repercussão e, algumas vezes, pouco conteúdo efetivamente novo.

No caso de Sargento Neto, o anúncio poderia ter sido feito simplesmente como aquilo que realmente era: mais uma ação de campanha em favor de Flávio Bolsonaro.

Não seria preciso vender suspense.

No fim, o que parecia que iria “impactar as eleições” era apenas o anúncio de que Sargento Neto continuaria fazendo campanha para Flávio Bolsonaro, algo que já fazia e que ninguém desconhecia. Muito barulho, pouca novidade.

E talvez seja essa a síntese, à Schopenhauer, perfeita do episódio: “Quando não há conteúdo suficiente para sustentar o fato, cria-se expectativa para que o próprio anúncio vire notícia.”


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