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Após publicação do PB Agora, internauta vai ao extremo e insinua que Lula perdeu o dedo para “fazer papelzinho de vítima”

Foto: Ricardo Stuckert

A matéria do PB Agora sobre a declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL), que ironizou durante o debate da TV Globo na noite dessa sexta-feira (23), a perda de um dedo do presidente Lula (PT) e o comparativo com a quantidade de acidentes de trabalho que seguem ocorrendo, trazendo os dados atualizados de 2026 no Brasil, provocou reações nas redes sociais. Entre os comentários, uma internauta foi além da provocação política e insinuou que o presidente teria provocado deliberadamente o próprio acidente de trabalho para receber indenização e se fazer de vítima.

A usuária identificada como ciely_jpa escreveu: “Acidente de verdade né? Porque Lula botou o dedo na máquina de propósito pra ser indenizado e fazer o papelzinho de vítima que ele adora”.

A afirmação, feita sem apresentar qualquer evidência, retoma uma narrativa que já circulou nas redes sociais e foi desmentida por verificações jornalísticas. O episódio ao qual o comentário se refere aconteceu em 1964, quando Lula tinha 18 anos e trabalhava na Metalúrgica Independência, em São Paulo. Na ocasião, ele perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente envolvendo uma prensa mecânica.

O caso voltou ao debate público na sexta-feira (23), quando Flávio Bolsonaro afirmou, durante o confronto com Lula na TV Globo, que o presidente “dá com uma mão e tira com nove dedos”, em referência à amputação. Lula reagiu à declaração e lembrou os trabalhadores que sofrem acidentes durante o exercício de suas atividades profissionais. Ao voltar do intervalo, no segundo bloco do debate, Lula cobrou que o adversário se desculpasse pela declaração, o que acabou ocorrendo.

A discussão ganhou outro significado diante dos números relacionados à segurança do trabalho. Levantamento do PB Agora mostra que somente entre janeiro e maio de 2026, o Brasil registrou 222.139 ocorrências de acidentes de trabalho, segundo levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), com base em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

Ao contrário do que possa sugerir a internauta, Lula não deixou de trabalhar após o acidente. O então metalúrgico recebeu uma indenização de 350 mil cruzeiros, valor que, segundo reportagens, o permitiu comprar móveis para a mãe e um terreno.

Lula continuou sua trajetória profissional como metalúrgico, participou do movimento sindical e chegou à presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Posteriormente, foi eleito deputado federal e presidente da República.

A trajetória de Lula no movimento sindical também é lembrada por trabalhadores que acompanharam as mobilizações da categoria no ABC Paulista, em São Paulo, durante o período da ditadura militar.

Em um relato recente nas redes sociais sobre a primeira prisão do presidente, um colega da época, chamado Seu Toninho relembra o contexto de mobilização dos metalúrgicos e a solidariedade dos trabalhadores a Lula. Na época, o então presidente do sindicato liderava uma greve que reivindicava direitos para a categoria e acabou detido, em 1980, com base na Lei de Segurança Nacional.

Lula permaneceu preso por 31 dias no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), em São Paulo, sendo libertado em 20 de maio daquele ano. Segundo Seu Toninho, quando o dirigente sindical foi solto, trabalhadores o aguardavam em frente à sua casa, em uma recepção marcada pela comemoração e pela solidariedade. O relato descreve a mobilização dos colegas, que o carregaram nos braços até sua residência.

Para além das divergências políticas, é válido ressaltar que o caso remete à realidade de milhares de trabalhadores que sofrem mutilações e outras consequências durante o exercício de suas funções.

Confira o relato de seu Toninho sobre a prisão de Lula em 80:

PB Agora

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