A Paraíba o tempo todo  |

“Nove dedos”: enquanto debate vira palco de insultos, mais de 200 mil brasileiros sofreram acidentes de trabalho em 2026

Imagem gerada por IA

Não foi bem avaliada pelos telespectadores a declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre a perda de um dedo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante o debate da TV Globo na sexta-feira (23). Lula perdeu o dedo mínimo em 1964, quando trabalhava como torneiro mecânico em uma metalúrgica, em São Paulo. Na época, ele tinha 17 anos. Ao reagir à fala do senador, o presidente mencionou os trabalhadores que sofrem acidentes durante o exercício de suas atividades profissionais.

No Brasil, somente entre janeiro e maio deste ano, foram registradas 222.139 ocorrências, segundo levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), com base em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

Durante o debate, Flávio ironizou o presidente ao comentar uma proposta de tarifa zero no transporte público aos fins de semana. “Você dá com uma mão e tira com nove dedos”, afirmou o senador, em referência à amputação do dedo mínimo da mão esquerda de Lula.

Indignado, o presidente Lula disse que a declaração foi uma falta de respeito não só a ele, mas a milhares de trabalhadores que todos os dias são vítimas de acidentes durante a atividade profissional.

“Me chamou de nove dedos. Eu quero que ele saiba de uma coisa: se tem alguém aqui nesse público que sabe o que é o mundo do trabalho, sou eu. Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu. Trabalhando na noite, quando não podia trabalhar. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos. Não vou permitir”, disse o presidente.

Lula acrescentou ainda que o senador Flávio é, na verdade, “um granfino”, que nunca trabalhou. “Não sabe o que é uma carteira profissional. O primeiro emprego que ele teve foi falso, pelo pai dele. (…) E vim chamar a mim de nove dedos. Você vai ter que pedir desculpas. Vai ter que pedir desculpa. Porque o povo trabalhador está vendo. Milhões de trabalhadores se acidentam por irresponsabilidade patronal que obriga a gente a trabalhar em jornada que a gente tem que ir trabalhar”, afirmou o presidente da República.

Após cobrar uma retratação, o presidente ouviu um pedido de desculpas do adversário.

“Se te ofendi porque te chamei de nove dedos, peço desculpas”, disse Flávio.

A Anamt alerta que os números podem ser ainda maiores devido à subnotificação. Entre os fatores apontados pela entidade estão a falta de avaliação adequada e a ausência de comunicação formal do acidente por parte da empresa, do trabalhador ou do sindicato. Os dados disponíveis citados no levantamento abrangem os cinco primeiros meses de 2026 e, portanto, não representam o total de acidentes ocorridos ao longo de todo o ano.

PB Agora

    VEJA TAMBÉM

    Comunicar Erros!

    Preencha o formulário para comunicar à Redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta matéria do PBAgora.

      Total
      0
      Compartilhe