O deputado estadual eleito Nilvan Ferreira (PL) criticou, durante entrevista ao programa Arapuan Verdade, na tarde desta terça-feira (3), os boicotes motivados por posicionamentos políticos, mas rejeitou a possibilidade de a direita adotar a mesma estratégia como forma de retaliação contra eleitores e apoiadores do presidente Lula. Ao abordar a repercussão de manifestações de empresários e consumidores que anunciaram boicotes a estabelecimentos comerciais e restrições a contratações por divergências ideológicas, Nilvan atribuiu ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a iniciativa de estimular esse tipo de comportamento.
O deputado resgatou uma declaração de Haddad feita em janeiro de 2023, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Na ocasião, o ministro falou sobre o poder de escolha dos consumidores e a possibilidade de pressionar empresas por meio das decisões de compra, citando negócios que haviam demonstrado alinhamento com o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Eu acho que o grande culpado disso aí foi quem incentivou primeiro: Fernando Haddad. Em 2023, quando assumiu o Ministério da Fazenda, foi dar entrevista no Fórum de Davos e lá para a imprensa internacional, ele disse: ‘Eu só compro em empresas que seguem a minha agenda’. E acho que as pessoas têm que fazer o mesmo”, afirmou Nilvan.
Durante a entrevista, o parlamentar também mencionou episódios envolvendo a emissora Jovem Pan, o empresário Luciano Hang, proprietário da rede Havan, e estabelecimentos comerciais que foram alvo de campanhas de boicote em razão do posicionamento político de seus proprietários.
Nilvan defendeu a liberdade individual nas relações de consumo e de trabalho e afirmou que cada pessoa deve ter autonomia para decidir onde gastar o próprio dinheiro. Também argumentou que empresários precisam ter liberdade para escolher seus funcionários.
“Eu não concordo nem com Haddad, nem com outros comportamentos. Agora, tem uma máxima comigo: o meu dinheiro eu gasto onde eu quero. Uma empresa, se eu fosse dono de uma empresa hoje, eu contratava quem eu queria. (…) Eu acho que as pessoas têm que ser livres. Livres, não podem sofrer patrulhamento de ninguém”, declarou.
Questionado se considerava legítimo que a direita adotasse os boicotes como resposta às iniciativas atribuídas à esquerda, Nilvan negou defender uma reação nesse sentido.
“Não, acho que não. Acho que as pessoas têm que ser livres. Ninguém pode ser patrulhado porque só não quer contratar uma pessoa”, respondeu.
O deputado também citou o restaurante Coco Bambu e a marca de produtos de limpeza Ypê ao comentar episódios de questionamentos e campanhas nas redes sociais envolvendo empresas associadas a posicionamentos políticos.
Ao final da entrevista, Nilvan afirmou que pretende concentrar sua atuação no mandato parlamentar e ressaltou que os 36 deputados estaduais representam toda a Paraíba, independentemente das regiões ou cidades onde receberam votos.
exto da declaração do ministro. Em Davos, Haddad abordou o poder de pressão dos consumidores sobre empresas, relacionando as escolhas de compra a compromissos com pautas como sustentabilidade, direitos humanos e liberdades. Portanto, a fala do ministro, recuperada por Nilvan, precisa ser considerada dentro desse contexto.
Entenda o contexto da fala de Haddad
Apesar de a declaração de Nilvan atribuir ao ministro Fernando Haddad o incentivo a boicotes políticos, essa interpretação, segundo agências de notícias que verificaram a informação à época, não corresponde ao contexto da manifestação feita pelo ministro em janeiro de 2023, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
Na ocasião, Haddad não fez uma convocação para que consumidores boicotassem empresas por alinhamento partidário. A fala tratava do poder de escolha dos consumidores e da possibilidade de pressionar empresas a assumirem compromissos com pautas como preservação do meio ambiente, direitos humanos e respeito às liberdades.
O ministro mencionou que consumidores poderiam deixar de comprar produtos de empresas que não estivessem alinhadas a esses compromissos, citando também o comportamento de negócios que haviam demonstrado proximidade com o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Dessa forma, atribuir a Haddad uma orientação para promover boicotes políticos, como fez Nilvan, desconsidera o contexto da declaração original e pode levar à disseminação de uma informação enganosa. O ministro discutia responsabilidade empresarial e pressão dos consumidores por meio de suas escolhas, e não uma convocação para retaliação política contra empresários ou eleitores.
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