O governo Lula e a cúpula do PT ainda calculam como calibrar uma reação à decisão dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras como organizações terroristas.
O receio é que uma manifestação apressada, mesmo com o argumento dos riscos de ações militares no Brasil e sanções ao sistema financeiro, possa acabar sendo explorada pela oposição como uma defesa da criminalidade.
Itamaraty, Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Palácio do Planalto, além da pré-campanha de reeleição do petista, discutiram a medida logo após seu anúncio nesta quinta-feira (28), mas não houve declarações oficiais. Até agora, as reações públicas têm vindo da bancada do PT no Congresso.
Embora a possibilidade sempre estivesse no radar, a equiparação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas, a exemplo do Hamas e do Estado Islâmico, logo após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Casa Branca, surpreendeu integrantes do governo.
Apesar de o presidente Lula obtido ganho de popularidade na defesa da soberania nacional, quando Donald Trump aplicou um tarifaço sobre produtos brasileiros, o tema agora é diferente, pois aborda um dos pontos mais frágeis do governo, que é justamente a segurança pública e o combate ao crime organizado.
Nos bastidores, integrantes do governo argumentam que, mais uma vez, a família Bolsonaro atua contra o próprio país nos Estados Unidos, a exemplo do tarifaço. Citam ainda que a medida defendida por Flávio a Trump expõe o Brasil a ações militares e impõe riscos econômicos, com sanções ao sistema financeiro.
Na prática, o receio é que esses argumentos não tenham lastro no eleitorado, que vê a segurança como uma das principais preocupações, enquanto a direita usa o discurso de tolerância zero no combate ao crime organizado.
Com CNN