“Em Busca do Horizonte Fugitivo”. Este é o título do livro de memórias de Luismar Resende (na foto ao lado), que será lançado até meados do próximo ano, com edição de Juca Pontes. O trabalho deverá ser publicado dentro em breve, contendo o relato fiel de acontecimentos que marcaram a história político-administrativa da Paraíba, vivenciados pelo autor, inclusive com papel de destaque em seus bastidores.

Cinzas jogadas ao mar

Na obra, Luismar relata um desejo de cunho estritamente pessoal post-mortem: é que logo após seu falecimento e velório, depois de ter seu corpo cremado, as cinzas dele sejam lançadas no limite visual entre a orla marítima de João Pessoa e a linha do horizonte, lá onde se avista a passagem de grandes navios, em nosso litoral, além da linha dos arrecifes de corais que emolduram a costa paraibana.

Aeroporto americano na Paraíba

Luismar detalha no livro, entre outros assuntos guardados em absoluto segredo por ele, nos últimos 50 anos, que empresários norte-americanos tentaram construir nas planícies cultivadas com cana-de-açúcar, num local bem próximo ao município de Sapé ou nas plantações de fumo existentes em Mari (cidade vizinha à outrora “Capital do Abacaxi”), um aeroporto de uso internacional, que seria destinado às oficinas para manutenção das turbinas dos aviões da Boeing, mas que no momento em que o investimento mais precisava, faltou o apoio decisivo das autoridades responsáveis pelo Governo da Paraíba, na época (década de 1960).

Pioneiro na telefonia celular

Estes registros históricos são muito importantes que sejam feitos, porque revelam outra face dele, mais conhecido – sobretudo nos últimos tempos, de 1990 para cá – como executivo da OI (empresa de telefonia móvel e fixa, ou seja, linhas convencionais).

Experiência em nível internacional

Ao longo de sua trajetória profissional bem sucedida, o executivo Luismar Resende (nascido em Campina Grande) trabalhou como repórter nos “Diários Associados”, realizou viagens de estudos a vários países da África e Europa, morou nos Estados Unidos e foi escriturário do Banco do Brasil.

De Campina para Europa e a Capital

Em maio de 1973, quando chegou de volta a João Pessoa, foi designado pela diretoria da Telebrás, para trabalhar na antiga Telpa (hoje Telemar), como gerente de Relações Institucionais, atuando de maneira fundamental no processo de incorporação da ex-empresa telefônica da Paraíba. A partir de então, ele fixou residência definitiva na Capital paraibana.

Morando nos Estados Unidos

Luismar Resende revela no livro, lembranças do tempo em que ele foi correspondente credenciado junto ao Departamento de Estado norte-americano, quando chegou a ser recebido oficialmente em visita à Casa Branca, localizada em Washington D.C. e também de quando era assessor especial do general Antônio Espínola, tido como provável futuro sucessor do presidente de Portugal, Antônio de Oliveira Salazar.

Correspondente africano

Por conta dessas funções de relevo internacional Luismar acompanhou de perto a guerra civil de Angola, de onde voltou traumatizado com a mortandade que vislumbrou, sobretudo a onda de massacres patrocinada pelos mercenários belgas que atuaram ao lado do Exército Colonial português durante o conflito, que registrou ainda a presença de tropas cubanas enviadas por Fidel Castro para apoiar as guerrilhas negras, que acabaram vencendo o conflito armado, em 1974.

Junto com o Exército de Portugal

Ele foi assessor do “General Sem Medo” Antônio Espínola, que nasceu em 1910 e faleceu em 1996. Como militar, o líder português teve ação destacada no comando do Batalhão de Cavalaria nº 345, que combateu em Angola, de 1961 a 1963. De 1968 a 1973, foi governador e comandante-chefe de Guiné-Bissau, tornando-se, em janeiro de 1974, vice-chefe do Estado Maior-General das Forças Armadas Portuguesas.

Testemunha da história

Em meados de fevereiro daquele mesmo ano, a publicação de seu livro “Portugal e o Futuro” apressou o golpe militar de 25 de abril, batizado de “Revolução dos Cravos”. Nesse dia, Espínola assumiu a presidência da Junta de Salvação Nacional e em 15 de maio, foi proclamado presidente da República.

Amizade pessoal com marechal

Demitiu-se em 30 de setembro de 1974, por divergências político-ideológicas com os dirigentes do Partido Socialista, aliados do Movimento das Forças Armadas, em relação ao processo de democratização e de descolonização em curso. Como era general de carreira desde 1969, em 1981 ele alcançou o título de marechal (maior patente do Exército português).

Revelando todos os bastidores

Luismar viu tudo isso acontecendo, bem diante dos seus olhos e agora resolveu contar tudo que testemunhou, nas páginas do livro de memórias que já está sendo finalizado por ele. Será – com absoluto grau de certeza – uma bela história de vida, cujos ensinamentos serão entregues para a posteridade, mas que fará muita gente tremer nas bases.

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