O novo secretário de Infraestrutura e Recursos Hídricos da Paraíba, Jovânio Gomes da Silva, nomeado em abril de 2026, defendeu cautela ao comentar a possibilidade de privatização da Cagepa. Em entrevista concedida ao programa Arapuan Verdade, nesta quarta-feira (06), ele destacou a complexidade do tema e a necessidade de estudos aprofundados antes de qualquer posicionamento definitivo.
Segundo o secretário, a Cagepa é atualmente uma empresa superavitária, mas enfrenta desafios impostos pelo novo marco do saneamento, que exige altos níveis de investimento em prazos determinados. “Ela se sustenta, é uma empresa que vai bem, mas tem dificuldade de investir sozinha e, muitas vezes, precisa de aporte do Estado”, explicou.
Ao abordar a possibilidade de participação da iniciativa privada, Jovânio mencionou modelos de Parcerias Público-Privadas (PPPs), já adotados em outros estados, como Pernambuco. No entanto, evitou defender uma posição categórica. “Eu sou muito temeroso de dar uma resposta sem um estudo específico. Seria leviano dizer agora se sou a favor ou contra”, afirmou.
O secretário também chamou atenção para o impacto social de uma eventual privatização, especialmente em municípios pequenos e economicamente menos atrativos. Ele destacou o modelo atual de subsídio cruzado, em que cidades maiores como João Pessoa e Campina Grande ajudam a viabilizar o atendimento em localidades menores. “A iniciativa privada vai querer atuar nessas áreas? Como ficará essa equação?”, questionou.
Para Jovânio, o debate não deve ser ideológico. “Isso precisa ser discutido com serenidade, sem a bandeira de público contra privado. Uma parceria bem construída pode ser o melhor caminho”, avaliou. Ele também ressaltou que, muitas vezes, os desafios no setor público não estão relacionados apenas à falta de recursos, mas à gestão.
O secretário ainda citou que o governo estadual acompanha discussões sobre o tema, incluindo um processo relacionado à PPP que deve avançar em eventos como o previsto na B3, em São Paulo. A participação do Estado em futuros leilões não está descartada, mas dependerá de análises técnicas. “A gente aguarda estudos. Sem esse conhecimento técnico, não há como tomar uma decisão responsável”, concluiu.
PB Agora
