Formandos de três faculdades de João Pessoa acionaram a Polícia Civil contra a empresa que estava organizando a festa de formatura das turmas. Segundo eles e o Boletim de Ocorrência registrado na Delegacia de Defraudações e Falsificações, a dona da empresa sumiu com mais de R$ 1 milhão dos alunos.

Na tarde de ontem, segunda-feira (11), representantes de pelo menos 10 turmas se juntaram na frente da Waltisa Eventos – empresa especializada em formaturas, eventos, aniversários e casamentos – para, numa tentativa falha, falar com alguém de lá e tentar descobrir o que seria das formaturas deles sem o dinheiro que investiram desde 2014. 

Uma integrante da comissão de formatura da turma de direito da Faculdade Internacional da Paraíba (FPB), Maria de Fátima, de 25 anos, segurava o contrato firmado com a Waltisa onde detalhava os itens das festas de formatura e aula da saudade, que custaram aos formandos R$ 125.400.

Wictor Hugo, de 22 anos, já formado em direito pela FPB e, mesmo já com a aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), disse  que esperava a aula saudade que aconteceria na próxima semana e o baile. “Fantasia alugada, convites enviados, copos e sandálias personalizadas feitos, a família já comprou roupa pra festa e tudo”, contou ele sobre os gastos que teve além dos R$ 4.180 que foram destinados só à empresa de eventos.

Junto a eles, Aysa Pereira, de 22 anos, também estudante de direito, sendo que do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), contava que pessoas dos cursos de engenharia ambiental e enfermagem de outras faculdades também foram lesados pela Waltisa Eventos.

Nem mesmo uma funcionária da empresa, que fica no cruzamento das Avenidas desembargador Bôto de Menezes com a Monsenhor Walfredo Leal, conseguiu trabalhar nesta segunda-feira. Segundo ela informou à Polícia Civil, não foi possível abrir a porta da loja com as chaves que ela tinha.

A delegada Vanderleia Gadi, que ouviu os estudantes na DDF, disse à TV Cabo Branco que ainda não aconteceu o golpe, já que, segundo o contrato, a empresa tem até 72 horas antes dos eventos para quitar os valores. Porém, caso nesta terça-feira (12) um cheque que ela deu a uma das casas de festas for devolvido ou se uma aula da saudade marcada para a próxima segunda-feira (18) não acontecer, o prejuízo vai ser considerado como consumado.

“Em tese, crime ela não praticou nenhum. Mas o comportamento dela é suspeito. Ela excluiu todas as contas nas redes socias, ela não atende o telefone, a empresa hoje estava fechada, a funcionária foi trabalhar e quando colocou a chave, a fechadura não abriu. É provável que realmente ela vá deixar esse pessoal no prejuízo, mas isso só vai acontecer se o evento de segunda-feira não acontecer”, explicou a delegada.

Enquanto isso, os estudantes diziam na porta da empresa que três cheques da Waltisa destinados a uma casa de festas no bairro Altiplano, em João Pessoa, já tinham sido devolvidos. Além disso, de R$ 31 mil que uma outra casa cobrava pelo espaço onde aconteceria uma formatura, a empresa pagou R$ 1 mil de sinal e não deu mais respostas.

Diante do acontecido, Wictor Hugo diz estar arrependido da escolha. “Estávamos em dúvida entre ela [Waltisa Eventos] e uma outra empresa, mas optamos por ela pelo valor e por não ter histórico de fraudes”, contou.

“Já não basta tanto estresse na faculdade com provas, TCC, OAB, ainda acontece uma dessas”, concluiu Wictor. Já à TV Cabo Branco, a formanda Cristiane Luna disse que o prejuízo foi mais que o financeiro, foram os sonhos levados.

G1

Foto: Gabriel Costa/G1

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