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Uma análise do candidato Renan dos Santos

Renan Santos é o primeiro a ser oficializado como candidato à Presidência da República. Ele se tornou conhecido pelos protestos que pediam o impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Foi um dos fundadores do partido Missão. Vejamos alguns pontos positivos e negativos de suas propostas e trajetória:

Renan dos Santos tem assumido um discurso muito duro e contundente contra o crime organizado, cultura de assistencialismo e os polos bolsonarista e petista. O diagnóstico é bem endereçado, mas suas propostas são idealistas para um candidato que, se eleito, nem teria base no Congresso nem no STF.

Ele propõe substituir o Bolsa Família por frentes de trabalho remuneradas, declarar o “direito penal do inimigo” contra facções criminosas, construir superpresídios de segurança máxima inspirados em El Salvador, fundir municípios considerados inviáveis fiscalmente, acabar com as favelas, aprovar uma PEC de severos cortes de gastos.

Tratam-se de propostas que enfrentam grandes problemas nacionais. Mas, parece-me, que Renan Santos pressupõe que um líder político poderia mudar praticamente a arquitetônica cultural e institucional do país por meio do Estado.

Ora, pode o Estado, que é o principal causador e mantenedor de tantas disfuncionalidades, transformar a sociedade pacificamente sem que haja uma mudança da cultura brasileira anteriormente?

Eu acredito que, de uma perspectiva realista, é preciso mudar, primeiramente, a cultura de assistencialismo, de laxismo penal que alivia para bandido, de captura do Estado por marajás e por oligarquias locais, de deslegitimação da polícia para retirar o crime organizado das favelas, de falta de consciência para corte de gastos.

Parece-me que, dado o atual estado de coisas, as propostas de Renan só podem ser aprovadas com base em muito populismo carismático e que, para sua aplicação, seria necessário um Estado autoritário. Propostas estruturalmente radicais podem resultar em ruptura abrupta e autoritarismo.

Por fim, existe um episódio particular da postura de Renan Santos que me deixa com muita reticência de sua candidatura. Há alguns meses, ele participou de um evento com uma vestimenta e estética que, para muitas pessoas, lembrou mobilizações fascistas ou imperiais. Meu receio conservador só me lembra do caso extremo da Revolução Francesa em busca de “um futuro glorioso”.

Anderson Paz


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