O Partido Liberal (PL) deve apoiar a reeleição do deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados, mas pretende disputar o comando do Senado Federal com uma candidatura própria. O nome escolhido para enfrentar o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), é o do senador Rogério Marinho (PL-RN), anunciado por Flávio Bolsonaro.
As articulações foram detalhadas pela CNN Brasil, que informou que o PL busca construir um acordo com Hugo Motta para garantir espaço na distribuição de cargos e no comando das comissões permanentes da Câmara, evitando ficar isolado nas negociações da próxima legislatura.
O partido chegou a avaliar o lançamento de uma candidatura própria para enfrentar Motta. Entre os nomes considerados estavam o líder da bancada, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e o atual vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ). A possibilidade perdeu força diante da avaliação de que o paraibano reúne apoio suficiente para conquistar a reeleição.
Hugo Motta já conta com manifestações de apoio de 15 partidos, incluindo o PT. Diante desse cenário, uma ala do PL defende que a legenda participe do bloco de sustentação do atual presidente da Câmara para não perder influência na escolha das presidências das comissões.
A preocupação envolve principalmente a distribuição dos colegiados, que segue critérios de proporcionalidade dos blocos parlamentares. Na prática, integrar um bloco maior permite participar antecipadamente da escolha das comissões mais disputadas. Entre elas está a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), cobiçada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
PL quer espaço nas duas Casas
A estratégia do partido é garantir participação na direção da Câmara, sob a liderança de Hugo Motta, e concentrar a disputa pelo comando do Senado em uma candidatura própria.
Flávio Bolsonaro anunciou Rogério Marinho como representante da oposição na disputa contra Davi Alcolumbre, que trabalha para permanecer na presidência do Senado. Segundo a CNN, o atual presidente afirma reunir pelo menos 48 votos para conseguir a reeleição.
O PL terá a maior bancada da Câmara, com 121 deputados federais, e também ampliará sua presença no Senado, onde contará com 28 parlamentares a partir de 2027.
Apesar da resistência de uma ala mais radical do partido à aproximação com Hugo Motta, a avaliação de setores da legenda é de que o acordo com o deputado paraibano é estratégico para garantir espaço político e influência nas decisões do Legislativo.
A definição oficial da posição do PL sobre a disputa na Câmara será discutida em reunião da bancada convocada para a próxima terça-feira (3), às 18h.
As articulações devem influenciar a composição das Mesas Diretoras e a relação entre o Congresso Nacional e o governo federal na próxima legislatura.
Redação com CNN
