Candidato derrotado à Presidência diz em live que fuga não é fraqueza e aposta em desgaste do governo Lula com economia ruim
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado no segundo turno das eleições presidenciais, realizou uma transmissão ao vivo nas redes sociais diretamente dos Estados Unidos, onde declarou que pretende voltar a disputar a Presidência da República antes mesmo do próximo pleito regular, previsto para 2030.
A transmissão ocorreu dois dias após a publicação de uma carta golpista em que o parlamentar contestava o resultado referendado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e se autoproclamava, primeiro, ‘verdadeiro presidente’ e depois ‘líder do Brasil’.
Durante a transmissão, o senador dirigiu-se aos seus apoiadores e afirmou que a expressiva votação recebida no segundo turno serve como combustível para se manter articulado na oposição política:
“Qualquer coisa que aconteça, eu vou estar aqui pronto, inclusive se for preciso para disputar a Presidência da República de novo. Esses quase 60 milhões de votos que vocês me deram, para mim, significam demais. Isso me dá muita consciência e ainda mais coragem para enfrentar o que tiver que enfrentar, se preciso for para resgatar, para salvar o nosso país, para disputar mais uma eleição para presidente da República. Eu não estou falando de 2030, não. Eu estou falando de antes disso. Então, gente, vamos continuar unidos, fazendo a nossa parte”, declarou o senador.
Em outro ponto da live, o senador insinua a possibilidade do governo Lula não chegar ao fim, e conclama seguidores a “continuar disputando o Brasil, abrindo os olhos de todos os brasileiros” para, enfim, ter a expectativa de que o Brasil possa dar certo.
“A minha expectativa é que a economia vai ser o principal fator de desgaste do atual governo. O cenário é muito pior do que o da Dilma lá em 2014 e 2015”, afirmou.
Flávio também justificou sua fuga para os Estados Unidos, argumentando que “não é sinal de fraqueza” e, mais uma vez, voltou a levantar dúvidas sobre o resultado das eleições.
Bastidores da saída do Brasil e diálogo com Jair Bolsonaro
Ao longo da transmissão, Flávio abordou pela primeira vez as circunstâncias de sua viagem aos Estados Unidos após o encerramento do processo eleitoral. O parlamentar explicou que tomou a decisão de deixar o território brasileiro durante a última visita que realizou a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra em cumprimento de prisão domiciliar.
De acordo com o relato do senador, o encontro foi marcado por uma diligência de agentes da Polícia Federal para a apreensão de passaportes. Na ocasião, Jair Bolsonaro teria solicitado aos delegados presentes que se afastassem por instantes para permitir uma conversa reservada entre pai e filho.
Segundo Flávio, o ex-mandatário o encarou e questionou: “Já sabe onde é que eles querem chegar com isso, né?”. O senador afirmou ter respondido na sequência: “Pai, já sei. Acho que Deus está no comando de tudo. Estou preparado. Vou enfrentar. Agora eu sei o que eu tenho que fazer”, momento que, segundo ele, selou sua partida para o exterior.
Tese de fraude sem provas
Flávio também voltou a sustentar que a eleição foi fraudada, sem apresentar evidências. Falou em “gols de mão” e em resultados “matematicamente impossíveis de terem ocorrido no mundo real”.
O Tribunal Superior Eleitoral desmentiu a alegação. O presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, afirmou que a prorrogação não alterou o resultado.
Flávio também afirmou que o país vive um “regime de exceção” e que as instituições estão “completamente aparelhadas”. Citou a caça de mandatos de governadores por abuso de poder político e econômico como comparação, sem apresentar elementos que sustentem a equiparação.
SBT News
