De olho nos chamados puxadores de voto na eleição, os partidos fizeram uma maratona para filiar o maior número de celebridades que devem concorrer a uma vaga no Legislativo em 2014. A ideia é repetir o que aconteceu com a eleição de Tiririca (PR-SP): com 1,35 milhão de votos em 2010, o palhaço levou três deputados de sua coligação em sua cola: Otoniel Lima (PRB), Vanderlei Siraque (PT) e Protógenes Queiroz (PC do B).

Entre os recrutados estão o jogador de vôlei Giba (PSDB-SP), a socialite Narcisa Tamborindeguy (PSDB-RJ), o ex-BBB Kléber Bambam, o estilista Ronaldo Ésper e a musa dos caminhoneiros Sula Miranda – os três pelo PRB-SP, o pagodeiro Belo (PP-RJ), o cirurgião plástico das estrelas Dr. Rey (PSC-SP), o nadador Fernando Scherer (PSB-SP) e o cantor José Rico (PMDB-GO), que faz dupla sertaneja com Milionário.

No caso de Narcisa, sua filiação já deu o que falar. Ela se filiou ao PSD por engano e, depois que foi avisada do erro, teve de se desfiliar e em seguida entrar no partido certo, o PSDB.

Bernardinho, técnico da seleção masculina de vôlei, é cotado para disputar o governo do Rio de Janeiro. Já Marcelinho Carioca saiu do PSB em busca de maior projeção no PT de São Paulo. E Raul Gil Jr, filho do apresentador Raul Gil, saiu do PSC para o PR.

O cientista político David Fleischer vê com bons olhos o fenômeno e diz que a estratégia pode fazer bem para a renovação do parlamento. “Pode ser uma pessoa que vai chegar sem ideias viciadas e vai aprendendo como um novato, e de uma certa maneira é interessante. Mas não é bom ter um Congresso sem experiências”, pondera. Fleischer cita o deputado Romário (PSB-PR), eleito pela fama de jogador de futebol, como exemplo de um novato que fez a diferença. “Ele conseguiu tomar pé logo das coisas e conseguiu assumir logo causas importantes”, ao contrário de Tiririca que, segundo o Fleischer, mantém um mandato com pouca relevância.

O grande responsável pela procura de nomes famosos é o sistema representativo proporcional adotado na democracia brasileira. Para determinar os eleitos, calcula-se o coeficiente eleitoral, que é o número de votos válidos dividido pelo número de cadeiras. Divide-se, então, o número de votos de cada partido por esse coeficiente, e assim é determinado o número de cadeiras de cada sigla. Para mudar isso, só uma reforma eleitoral.

Aldo Fornazieri, diretor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, diz que é difícil limitar a estratégia sem uma reforma, pois seria limitar direitos políticos dos cidadãos. E é difícil repetir o efeito Tiririca, pois, depois que ele foi eleito, as pessoas começaram a ficar “mais críticas” com os votos em celebridades.

Fornazieri diz que o método agrava a falta de credibilidade dos partidos brasileiros. “Se os partidos políticos tivessem credibilidade no País, não abalaria. O eleitor entenderia como uma coisa de momento, de conjuntura. Mas como os partidos não têm (credibilidade), só piora a avaliação do eleitorado”, avalia.

PB Agora com IG 

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