Obras do eixo leste da transposição do Rio São Francisco: previsão de inauguração em junho de 2011
Eleita com 75% dos votos do Nordeste, a futura presidente Dilma Rousseff prepara um plano especial para os nove estados da região. No pacote, a profissionalização da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), do Banco do Nordeste, da companhia Vale do São Francisco (Codevasf) e ainda do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs). Todos esses órgãos estão vinculados ao Ministério da Integração, uma das joias da coroa mais cobiçadas pelos partidos.

Pelas contas da equipe de transição, os investimentos das duas fases do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) a cargo desse setor representam R$ 16 bilhões para os próximos anos. Do PAC 1, ficarão quase R$ 4 bilhões para serem executados no governo Dilma. E do PAC II, os investimentos serão da ordem de R$ 12 bilhões. Só para 2011 são R$ 2,7 bilhões do PAC.

Grande parte desse volume de dinheiro deverá ser aplicado diretamente em obras de infraestrutura hídrica — barragens, projetos de irrigação, e ainda a transposição do Rio São Francisco. A primeira etapa desse megaempreendimento — o eixo Leste — estará pronta para a futura presidente inaugurar em junho do ano que vem. Estão nesse rol ainda outras obras, como a ferrovia Transnordestina.

Indicações

Pelos cálculos dos técnicos, a transposição deve ser a maior obra que Dilma terá no portifólio de inaugurações para o primeiro ano de sua gestão, além de etapas da ferrovia Transnordestina. E ela não quer atrasos e nem problemas nesse setor. Daí a ideia da presidente eleita de profissionalizar e exigir nomes técnicos aos partidos para preencher vagas em estatais, superintendências e bancos, como o do Nordeste. Hoje, a maioria dos cargos dessa área está sob pessoas indicadas pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima. O Dnocs foi indicação do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves. Parte dos atuais dirigentes não chegarão ao carnaval nos respectivos cargos.

Em todas as reuniões, Dilma tem se mostrado obcecada pela gestão e pela necessidade de indicação de técnicos de excelência e, especialmente, que tenham capacidade de tocar as obras dentro dos orçamentos previstos. Quem for responsável pela indicação terá, ainda, que levar em conta a capacidade do indicado de ouvir desaforos calado.

Ninguém se esquece da cena de 2009, quando o então secretário-executivo do Ministério da Integração, Luiz Antonio Eira, pediu demissão logo depois de brigar com a então ministra da Casa Civil sobre a ferrovia Transnordestina. Na presença de empresários e do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, Eira disse, na reunião, que, com a mudança dos prazos, teria que haver alteração dos valores do desembolso do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste. Dilma respondeu na hora que o Ministério não iria dispor de recursos “nem por cima do meu cadáver”. Gritos de lado e de outro, Eira terminou fora do governo.

Agências restritas

Da mesma forma que Dilma deseja técnicos de vasto currículo em áreas como Sudene, Codevasf, Dnocs e Banco do Nordeste, ela se mostra disposta a fechar as agências reguladoras às indicações dos partidos. A avaliação de integrantes da equipe de transição é a de que muitas das indicações políticas para o setor deixaram a desejar. Vide, por exemplo, o caso divulgado recentemente, de que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) teria fechado os olhos para fraudes na refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro. Dilma, nesse setor, quer quem tenha como grande senhor o Brasil e os interesses nacionais.
 

 

Correio Braziliense

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