Depois do segundo turno, eu passei quatro dias sem entrar no Instagram. Isso me deu outra perspectiva política. Eu percebi que estava cultivando uma certa esperança – infundada – de haver importantes transformações institucionais no Brasil.
Eu parei uns dias e vi algumas coisas. Eu percebi que muita gente que diz “seja feita Tua vontade” não demonstra fé quando as coisas não saem como desejado na política. Eu vi muita gente que defende a “família” sugerir retirar o emprego e o sustento do próximo por conta de política.
Eu ouvi a manifestação de desejo pelo mal do país em tom de vingança. Eu vi empresas pararem com doações ao necessitado devido à posição política. Eu percebi que muita gente só busca “a paz da cidade”, como diz Jeremias, quando seu candidato vence.
Depois desses dias, eu tive uma visão mais clara das coisas: o problema da política brasileira não é, primariamente, institucional, mas sim de falta de virtudes. Dos políticos ao cidadão, a política brasileira está dominada por vícios, ódio e vingança. Eu acho que é hora de mudar de ênfase.
Há pouco a se fazer em relação à configuração das instituições do país, mas há muito a se trabalhar no âmbito da sociedade civil quanto à preocupação com virtudes. Talvez a principal contribuição dos cristãos, no Brasil de hoje, seja retomar a força da discussão e preocupação com virtudes.
