O cancelamento do debate dos presidenciáveis na Globo foi uma autocensura imposta pela juristocracia. Mas também foi uma dura lição para a emissora que disse que o inquérito das fake news respeitava o devido processo legal e que apoiou desmandos do STF nos últimos anos. A conta chegou porque autoritarismo não tem lado, só começa de um lado.
Lula começou o tumulto. Ele havia fechado acordo com a Globo que dizia que cadeira vazia poderia ser mostrada e questionada. O PT assinou, mas, temendo a exposição da cadeira, acionou o TSE. O pedido caiu com uma ministra aliada de Flávio Dino, que deu uma liminar quebrando uma regra e tradição de outras eleições.
Depois Paulinho da Força pediu diretamente a Gilmar Mendes, que não integra o TSE, em um processo sem relação com o debate presidenciável, para colocar Renan no debate, burlando o princípio do juiz natural e criando uma bagunça generalizada.
São juízes politicamente engajados que decidem quem pode estar no debate e que fake news em rede social pode ser mantida. São juízes que tomam lado para favorecer um grupo em detrimento de outro. Como, no final de tudo, é possível dizer que a população elegeu, por convicção, seus representantes?
Os juízes do STF governam. São políticos que decidem questões jurídicas, modulando seus votos conforme seus objetivos. Vivemos em uma juristocracia em que o poder político foi tomado POR DENTRO das instituições.
