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Conversa que mete medo

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    Eu não gosto de beber. Mas gosto de praia, de coca-cola e caranguejo, tudo regado a um bom papo com amigos nas barraquinhas do Bessa. Essas mesmas barraquinhas que estão ameaçadas de quase extinção.

    Não aprecio muito a forma como o prefeito Ricardo Coutinho trata determinadas questões. É claro que, muitas vezes, é preciso mão firme (que não significa violência) para evitar que comerciantes – grandes ou pequenos – baguncem a cidade, espalhem sujeira e invadam áreas que deveriam ser de pedestres ou banhistas.

    Mas o diálogo, antes tão defendido pelo prefeito, enquanto vereador e deputado, não é muito o seu ponto forte hoje em dia. E sem diálogo, o confronto é inevitável.

  Tudo o que os barraqueiros pedem é que a prefeitura reveja o projeto de reurbanização que prevê a retirada das barracas. Rever não significa ignorar. Significa, isto sim, ponderar, abrir mão de determinados pontos, ver onde é possível uma alternativa. A prefeitura também tem seus motivos para não abrir mão, de jeito nenhum, de outros pontos considerados vitais para a boa convivência entre moradores, turistas, barraqueiros e frequentadores eventuais. O negócio certo a fazer é pesar e medir os prós e contras de ambos os lados. Sem medição de forças, mas com os olhos voltados a uma solução.

    Seria tão simples sentar e conversar! O problema é que, muitas vezes, nenhum dos lados quer ceder. Os barraqueiros não têm o olhar virgem de quem visita as praias de João Pessoa, não percebem a poluição que causam, a invasão do passeio dos banhistas, a muvuca que fica o local. A prefeitura, por sua vez, não quer nem saber dos problemas econômicos que causarão a inúmeras famílias de comerciantes e empregados, muito menos do que pensam os frequentadores das barracas. Decide-se, numa reunião fechada do Comitê Gestor do Projeto Orla, o que deve ser feito e pronto. Cumpra-se.

    Resultado: os barraqueiros dizem que não vão tirar mesas, cadeiras, geladeiras, freezers, fogões e outros equipamentos caros. Se quiserem derrubar os estabelecimentos, terão que arrastar tudo, num espetáculo grotesco, perturbador e absolutamente desnecessário.

    Até agora muita gente não sabe quem tem razão nessa história. Até a sessão na Câmara Municipal para discutir o assunto os ricardistas querem evitar.

    Será que, hoje em dia, conversar parece mais um ato de terrorismo?
 

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