As regras da civilidade e democracia foram postas à prova na manhã desta quinta-feira (12), na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB). E digo isso sem nenhum estorvo ou dano à minha alma, cérebro ou observação dos fatos. Todos estão conectados para afirmar, sem erro, o que pude observar na Casa de Epitácio Pessoa.

As minhas retinas, já fustigadas pelo tempo, presenciaram o equilíbrio perfeito entre o povo e seus representantes. E registro, aqui, ação de boa vontade dos parlamentares. Em tempo: o mesmo elogio para os líderes de classes vinculados ao serviço público estadual.

A condução de algo que poderia culminar em um embate efetivo, inclusive corporal, foi debelado, pondo na balança do bom senso a “dura lex, sed lex”, que versa sobre a dureza da lei dura, embora flexível, quando se está em pauta a “mater” democracia.

O fato em questão está (esteve) na ocupação do plenário, galerias e quase todos os espaços da AlPB por policiais civis e militares, representantes da Educação e Saúde, dentre outras categorias. Em cena, servidores públicos furiosos com a proposta de reformulação da Previdência do Estado, o que é natural, pois o expediente irá, de certa forma, modificar o que hoje está em vigor.

Havia certo tipo de histeria coletiva vindo do cordão umbilical daqueles que representam os servidores, afinal, não é permitido perder o que foi conquistado por anos e até mesmo décadas de trabalho profícuo. E reformar, como o próprio verbo já diz, é sinônimo de alteração, modificação, mudança.

E nesse mar cujos navios singram em mar aberto para a guerra da polarização política, parlamentares da situação e oposição entraram em comum acordo a fim de formatar caminhos para o diálogo com os servidores.

E assim o “milagre” foi realizado, sob a conduta equilibrada do presidente da Assembleia, Adriano Galdino, muito seguro de si que, buscando uma solução pacífica para o imbróglio, foi ao plenário completamente apinhado por manifestantes a fim de solicitar calma e zelo pelo bom direito.

Além de Galdino, que dá sustentabilidade ao governador João Azevêdo; Cabo Gilberto, Walber Virgolino, Raniery Paulino e Camila Toscano, do bloco oposicionista ao Governo do Estado, bem como a situação, envolvendo Tião Gomes, Ricardo Barbosa e outros que estavam no cenário do quase “confronto”, administraram o impasse.

E nesse clima e ebulição social um acordo foi firmado. E muito mais que isso. Gestos de confiança mútua entre parlamentares e servidores foram costurados. “Cachimbo da paz”? Qual? Pergunto e ao mesmo tempo respondo: ficou estabelecido sessão especial marcada para a próxima segunda-feira, a fim de discutir o texto da Reforma enviada pelo Executivo à Assembleia.

E com diálogo, nesses tempos de intolerância política, viu-se esquerda, direita e centro buscarem o papel que sempre foi delegado a todos: o pleno respeito ao princípio do contraditório. Venceu, assim, a democracia. A esperança é que ela possa sempre ficar acima do totalitarismo.

E que venha o bom combate; o bom diálogo, o confronto salutar de ideias na sessão especial de segunda-feira e de outras tantas se necessário for, pois a reforma da Previdência da Paraíba é fundamental para garantir a sustentabilidade do próprio Estado.

Emendas no texto principal serão bem-vindas, no intuito de oferecer às gerações atuais e vindouras garantias legais para uma boa qualidade de vida aos cidadãos paraibanos. É o que pensam os parlamentares, é o que deseja o povo.

E só para complementar, entra em pauta um pensamento de Aristóteles: “A democracia surgiu quando, devido ao fato de que todos são iguais em certo sentido, acreditou-se que todos fossem absolutamente iguais entre si”.

 

Eliabe Castor
PB Agora

 

 

Eliabe Castor
PB Agora

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