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MG: irmã de carcereiro morto reconhece Bola como assassino

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Em audiência no Fórum de Contagem na manhã desta quarta-feira, a irmã de um carcereiro morto em maio de 2000, na cidade da região metropolitana de Belo Horizonte, reconheceu o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, como o executor dos disparos que tiraram a vida de Rogério Martins Novelo.

 

Ao ser perguntada pela juíza Marixa Fabiane Rodrigues, que preside a audiência de instrução sobre o caso, Renata Novelo Manso afirmou que Bola matou o irmão dela em frente à fábrica de gelo da família. De acordo com o depoimento de Renata, Rogério estava dentro de uma Kombi próximo à fábrica quando foi surpreendido pelo ex-policial. Segundo ela, o crime aconteceu depois que o carcereiro atendeu a um telefonema de Bola, que estaria a poucos metros do local, em uma telefone público.

 

Segundo a irmã da vítima, ele disparou três tiros contra Rogério, sendo que um acertou o carcereiro, que morreu no local. O advogado Fernando Costa Oliveira Magalhães, que defende o ex-policial civil, nega as acusações. "O retrato-falado do suspeito do crime não tem nada a ver com as características do Bola", afirmou, sustentando que o cliente será inocentado da acusação quando as outras testemunhas forem ouvidas.

 

Na audiência, são ouvidas duas testemunhas de acusação, seis de defesa e outras duas arroladas pelo seu advogado e também pelo Ministério Público, que acusa o ex-policial do crime. Outras pessoas também serão ouvidas em cidades do interior do Estado por cartas precatórias. Esta é a primeira vez em que Bola fica frente a frente com a juíza Marixa Fabiane Lopes desde que, supostamente, o plano de matá-la foi informado por um ex-colega de cela do ex-policial. Em dezembro do ano passado, Bola, o goleiro Bruno e outras seis pessoas foram mandadas a júri popular pela magistrada, acusadas pela morte de Eliza Samudio.

O caso Bruno

Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

 

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

 

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

 

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

 

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio e Bola serão levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.

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