Há 132 anos o Senado Federal não rejeitava a indicação de um ministro para o Supremo Tribunal Federal. O governo brasileiro, na pessoa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi dormir nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, sobre um travesseiro marcado por lágrimas políticas, um fato raro e de grande repercussão institucional.
Seu indicado, Jorge Messias, após ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) por 16 votos a 11, acabou sendo rejeitado no plenário do Senado Federal por 42 votos contrários a 34 favoráveis, numa decisão que rompe uma longa tradição de confirmações.
Desde o início, havia sinais de desconforto nos bastidores. Parte dos senadores demonstrava preferência por outro nome: Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que, aos olhos de muitos, era o favorito dentro da própria cúpula do Senado.
Mesmo assim, Lula não cedeu. Manteve sua indicação, ignorando alertas e resistências, inclusive do influente Davi Alcolumbre e de seu grupo político. O desfecho expõe fragilidades na articulação do governo dentro da Casa Alta.
Resta agora a pergunta inevitável: o presidente recuará? Optará por apresentar o nome de Rodrigo Pacheco como alternativa de consenso? É pouco provável, embora, na política brasileira, o improvável frequentemente aconteça.
Jorge Messias, que se declara evangélico, havia conquistado o apoio de parte da liderança religiosa. Também contava com a simpatia de alguns ministros do próprio STF. Ainda assim, nem o respaldo político, nem o religioso foram suficientes.
A carruagem da política continua em movimento. Nos meses que restam até o fim do ano, veremos quais caminhos serão tomados e quem, de fato, terá força para conduzi-la.
E fica a lição: na política, como na vida, nem toda indicação se confirma e nem todo poder se impõe. Há momentos em que a caneta indica… mas o Senado decide.
Elcio Nunes
Cidadão Brasileiro
