Por Eliabe Castor

Eu moro em um país cristão e abaixo da linha do Equador. Ou seja: clima tropical a temperado. Além disso, todos os anos, nesta mesma época, vejo luzes de colorido deslumbrante acesas de maneira efusiva em todos os lados que a minha vista pode alcançar, para o completo deleite da Energisa.

Neves artificiais – em sua maioria confeccionadas de isopor ou algodão são postas em pinheiros de plástico armados nas residências, passeios públicos, shoppings e no comércio em geral. Perus, coitados, que avisam quando estão prontos, são sacrificados numa noite chamada Natal, a fim de comemorar o nascimento de Jesus Cristo.

Mas aí já começa o desencontro. Dados arqueológicos e análises climáticas, segundo o que se observa na Bíblia, mostram que o Messias veio ao mundo entre os meses de março e abril. As Escrituras narram que, no episódio do Seu nascimento, havia pastores no campo cuidando das ovelhas.

“Havia pastores que estavam nos campos próximos e durante a noite tomavam conta dos seus rebanhos.” (Lucas 2.8). Então é de supor que, fosse dezembro a data do nascimento de Jesus, a noite estaria tão fria e que, certamente, todos os rebanhos estariam protegidos em alojamentos. O clima em Israel é bem diferente do nosso, que varia de temperado a tropical. Falei isso no início do texto, lembra?

Mas essa é uma questão para os teólogos e estudiosos da Bíblia, o que de fato não sou. Porém, uma certeza eu tenho. É um absurdo que a figura de Jesus Cristo seja quase por completo sepultada por um personagem de bochechas rosadas e criada pela indústria para vender presentes e dar seu famoso HÔ, HÔ, HÔ “gratuitamente”. Claro! Papai Noel é importante para o comércio, indústria, geração de emprego e renda, especialmente este ano, cujos setores que citei foram desidratados economicamente pela pandemia do novo coronavírus.

 

O problema que identifico é que o espírito natalino não mais está baseado no amor e perdão, sentimentos nobres pregados por milênios pelo cristianismo. E o que mais me causa repulsa é que o “bom velhinho” invariavelmente “visitar” as residências dos mais ricos. Opulência é a palavra certa para tal fato, com direito a postagens sorridentes nas redes sociais. Já os menos abastados se reúnem para uma ceia mais modesta. E os miseráveis, aqueles que vivem na mais completa pobreza? Bem, esses dormem de estômago vazio, e sem presentes, claro, exceto quando recebem caridades de alguma instituição religiosa, Organizações Não Governamentais ou almas caridosas.

Tudo que vejo está fora de ordem. Tudo é muito diferente dos ensinamentos de Jesus Cristo, que sempre pregou um sistema igualitário entre os seres humanos, pondo aí a integração pacífica dos mais diversificados credos religiosos, inclusive. Pelo menos foi isso que aprendi nas aulas de Religião e no que ouvi e estudei ao longo da minha vida.

A mídia e o consumismo exagerado no período natalino

De forma efetiva, note leitor, que a mídia fixa o Natal como sendo Noel o pai de todos nós, do consumismo desenfreado e do não repartir o pão com desconhecidos. Tudo está centrado naqueles que estimamos, e só! Espaço algum, ou muito pouco, incentiva um congraçamento coletivo. E aqui não prego sair distribuindo presentes ou cestas básicas para todos. O brasileiro mal consegue pagar suas contas no final do mês, e os que as pagam fazem o “milagre” da multiplicação dos pães e peixes.

Eu falo aqui, em época de distanciamento social, que não se pode dar um abraço no próximo ou manter contato físico, utilizar de outros expedientes humanitários. Uma mensagem de conforto, um gesto à distância de amor, um rezar, uma oração; o rogar por aqueles que hoje estão convalescentes, sem um teto para se abrigar; os que estão desempregados. Todos esses atos são de pura humanidade para com nossos semelhantes que passam por problemas dos mais diversos. E isso é válido, muito válido para os que doam e os que recebem.

Eu falo dos desafortunados de forma geral. Eu falo de um tempo de paz, da essência divina do Criador e seu Filho Jesus Cristo. Falo em dias melhores para todos, e não propriamente de presentes caros e a ostentação que foi criada no entorno das festas natalinas.

Carta aberta para Papai Noel!

Querido Papai Noel! Vejo grandes problemas em vossa pessoa assumir o lugar de Jesus Cristo. Mas no mundo ocidental, quase todos se lembram de vós, e não daquela figura que veio ao mundo durante o reinado de Herodes, o Grande. Para a maioria das crianças com relativo poder aquisitivo vossa pessoa é o “Messias dos presentes”, o “Ungido da ceia farta”, o “Consagrado da indústria e comércio”, não do amor e compaixão.

Já o filho de José e Maria, um simples aprendiz de carpinteiro, que nasceu em Belém e padeceu no Gólgota, foi engolido pelo consumismo. Ele perdeu espaço para vossa pessoa, Papai Noel, que, aliás, não sei se o senhor sabe, mas foi inventado, ou quase isso, pela coca-cola. Isso mesmo! Ficou triste? Não fique! Todos parecem adorar suas cores e trajes em preto e vermelho, cores essas do refrigerante que lhe concedeu sua “vida”.

Pois é: uma indústria que pegou carona em São Nicolau Taumaturgo – um arcebispo turco que costumava ajudar pessoas pobres da cidade de Mira, colocando moedas de ouro nas chaminés de suas casas durante a época do Natal.

Pois bem, Papai Noel, como vejo, vossa redenção é possível. Pelo menos para a minha pessoa. Primeiro, gostaria que doasse sua casa luxuosa, na Lapônia, para uma família de sem teto na Paraíba. Reconheça que Mamãe Noel é muito importante na sua vida. Não seja misógino!

Remunere seu séquito grupo de elfos. Trabalho escravo é crime. Ou pelo menos era nesse país abençoado por Deus e bonito por natureza. Gostaria, também, que devolvesse as nove renas voadoras que o senhor, há séculos, usufrui dos seus serviços. Devolvo-as para o seu habitat natural. Do contrário, vou denunciá-lo a órgãos internacionais que protegem o meio ambiente, já que o titular da pasta no Brasil, Ricardo Salles, está mais preocupado em ver “passar a boiada” e devastar nossa rica fauna e flora, que salvá-la.

Nada de ostentação nas suas roupas, Noel! O vermelho já está cafona. Ponha uma sandália de dedo comprada lá em Cabeceiras, uma blusa de manga curta e uma bermuda estampada. Francamente, mude o visual. Troque o gorro ridículo por um boné descolado. Faça um regime, pois temo por vossa saúde. Presumo que seu nível de colesterol ruim está alto.

Então, “ferme la bouche”, feche a boca, como dizem os franceses! Pense bem: bons hábitos alimentares influenciarão de forma benéfica no seu trabalho. Não dá para entrar numa chaminé com obesidade mórbida, não é mesmo? E olhe que nem chaminé tem no Brasil. Melhor dizendo, numa casa ou outra na região Sul pode até ter.

Não quero ver o senhor presentear ninguém com papel higiênico personalizado e perfumado. Isso custa caro. Em vez disso, distribua a vacina para a Covid-19 de maneira equânime para os brasileiros, priorizando os grupos de risco. Ah! Lembre-se: vossa pessoa é uma ficção. Jesus Cristo não! Por fim, Feliz Natal para todos!

 

Por Eliabe Castor

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