Não é apenas uma “sensação”, como diria Miriam Leitão. O Brasil real e profundo está pedindo socorro. Na economia, grandes empresas varejistas pedindo recuperação judicial, a aposentadoria da maioria não dá para sobreviver, o pequeno empresário abandonado e sufocado pelo Estado, a classe média deixando de existir porque os rendimentos não acompanham o custo de vida, bets viciando pessoas de baixa renda.
Na segurança pública, a criminalidade se infiltrando no Estado e tomando cada vez mais territórios, o crime organizado oferecendo curso de operação de drone a adolescentes à luz do dia, barricadas e câmeras cada vez mais presentes na paisagem das cidades. Não me sai da mente a imagem de uma pequena empresária aos prantos, praticamente quebrada, sendo assaltada e o criminoso levando seu último bolo para venda e seu celular.
Na burocracia estatal, as elites do funcionalismo público usam de seu próprio poder para manter privilégios, ministros do STF avançam na tomada de poder por meio das instituições, grandes empresários usam de sua influência para conseguir privilégios do Estado sufocando pequenas empresas.
Tem muito brasileiro sonhando com uma mudança política e social nessas eleições. Como eu queria ter essa fé e esperança! Hoje, um amigo, que trabalha bastante, me disse: “Meu sonho é ter uma moto pop”. Eu fiquei pensando: “O que aconteceu com esse país? Como pode as pessoas trabalharem apenas para sobreviver e recolher as sobras das mesas e não se irritam com isso?”.
Esse texto é apenas um desabafo. Para a maioria das pessoas, esse país não deu certo! Eu só me lembro do profeta Habacuque, que disse: “Até quando, Senhor, clamarei por socorro, sem que tu ouças? Até quando gritarei a ti: “Violência!” sem que tragas salvação? Por que me fazes ver a injustiça? Por que toleras a maldade? A destruição e a violência estão diante de mim; há lutas, e o conflito se levanta. Por isso, a lei se enfraquece, e a justiça nunca prevalece. Os ímpios cercam os justos, e, assim, a justiça é pervertida”.
