A presença de Michelle Williams (viúva de Heath Legder) e Gael Garcia Bernal e o bom trabalho dos atores em “Mammoth” não foi o suficiente para aplacar as vaias dos jornalistas ao final da primeira sessão do filme aqui em Berlim. Foi a primeira reação ruim sentida com mais força durante as exibições dos filmes da mostra competitiva. Até agora, o máximo que se registrou foi a indiferença glacial em relação a “Ricky”, de François Ozon.

“Mammoth” faz parte de uma tradição recente de filmes com tramas e subtramas que se desenrolam concomitantemente em diferentes países, continentes e fusos horários. Um exemplo recente, lembrado pelo próprio Gael na entrevista coletiva realizada após a sessão, foi “Babel”, de seu conterrâneo Alejandro Gonzáles Iñarritu. Até Fernando Meirelles começou e abandonou um projeto semelhante em parceria com o roteirista Bráulio Mantovani, “Intolerância”. “Muitos filmes com esse mesmo formato foram feitos”, disse o ator, que acaba de ser pai. “Não acho que seja um problema.”

Mas o formato batido não foi a razão das vaias. “Mammoth” acompanha a separação temporária de uma família novaiorquina muito bem estabelecida formada pela cirurgiã Ellen (Michelle Williams), pelo gênio da computação Leo (Gael Garcia Bernal), pela filha de ambos, Jackie (Sophie Nywiede), e pela babá estrangeira da menina, Gloria (a atriz filipina Marife Necesito).

As primeiras cenas mostram a família unida e o papel fundamental da babá na vida da criança. A partir do momento em que o pai vai para Bangcoc assinar um contrato milionário, esse castelo de vento começa a se desfazer.

A mãe passa a sofrer com a rotina do trabalho, a ausência do marido e a distância que isso tudo coloca entre si e a filha. O pai aborrece-se com os protocolos do mundo corporativo e decide viajar para o litoral tailandês enquanto as negociações que o levaram até lá não terminam. E a babá sofre com a distância dos filhos e a necessidade de permanecer nos Estados Unidos para proporcionar a eles uma vida melhor. Na verdade, este é o terceiro fio narrativo, protagonizado por um núcleo de atores filipinos.

Ao ser questionado sobre se gosta de provocar polêmicas, Moodisson, que é conhecido no Brasil por “Benvindos” (2000) e “Lila Para Sempre” (2002), disse que esta não é a razão pela qual faz filmes, nem a razão pela qual fez este “Mammoth”. “Não faço filmes para serem debatidos, mas porque quero expressar algo que sinto no meu coração”, disse ele. “O debate não é a minha prioridade.”
 

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