A estátua em homenagem ao ex-presidente João Goulart (1919-1976), deposto pelo golpe militar de 1964, foi depredada na orla do Guaíba, em Porto Alegre (RS). Nas proximidades do monumento, inaugurado em 2024, foram encontradas bandeiras e cartazes com a imagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República.
Em uma publicação no Instagram, familiares de João Goulart repudiaram a depredação e relacionaram o episódio ao avanço da extrema-direita no país e aos eleitores de Bolsonaro. A família também informou que adotará medidas administrativas para restaurar o monumento.
“Eu pergunto: Jango merece isso? É esse o destino que o Brasil quer?”, diz um trecho da manifestação, que recorda a trajetória política do ex-presidente e sua atuação em defesa dos direitos dos trabalhadores.
Na publicação, os familiares também convocaram os seguidores a se posicionarem politicamente nas eleições de 25 de outubro. A mensagem apresenta a disputa como uma escolha entre a democracia e o autoritarismo.
A escultura, criada pelo artista Otto Dumovich, homenageia o ex-presidente que propôs as chamadas Reformas de Base. As iniciativas previam mudanças nas áreas agrária, urbana, educacional, bancária, fiscal e eleitoral, com o objetivo de combater as desigualdades sociais.
Esta não foi a primeira vez que a estátua de João Goular foi alvo de depredação. Em 2022 a estátua do ex-presidente em São Borja, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, foi danificada. Imagens na época mostraram um grupo de pessoas pulando sobre o monumento.
João Belchior Marques Goulart nasceu em São Borja, em 1919. Herdeiro político de Getúlio Vargas, natural da mesma cidade, Jango, como era conhecido, foi vice-presidente nos governos de Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros, entre 1956 e 1961.
Depois da renúncia de Jânio, o gaúcho assumiu a presidência, após a Campanha da Legalidade, liderada pelo cunhado e então governador do RS, Leonel Brizola.
João Goulart foi deposto em 2 de abril de 1964. Naquele dia, o Congresso Nacional fez uma sessão que declarou vaga a presidência da República. O então presidente do Congresso, senador Auro de Moura Andrade, argumentou que o presidente tinha deixado o governo. Jango, contudo, estava no Rio Grande do Sul em busca de apoio de aliados, uma vez que estava na iminência de ser detido.
Redação
