A maior lição da comemoração de um ano de funcionamento do Hospital do Bem – unidade oncológica que faz parte do Complexo Hospitalar Regional Deputado Janduhy Carneiro de Patos – é de que a unidade não apenas realiza tratamentos de câncer, mas acolhe os pacientes de maneira diferenciada e põe fim a velha máxima de que um diagnóstico de câncer é o começo do fim da vida.

Essas afirmações não foram feitas pela diretoria da unidade, nem por funcionários, nem ainda por representantes da Secretaria de Saúde Estadual, que estiveram na manhã desta segunda-feira (7), na unidade, comemorando o primeiro ano de atividades do Hospital do Bem. Foram de pacientes que se trataram lá, estão curados e deram seus próprios testemunhos.

Renata Cristina Silva Gomes, de 31 anos, foi a primeira paciente do Hospital do Bem, de Patos, a dispor de um cateter venoso implantável. A cirurgia de implantação do dispositivo foi feita no dia 13 de fevereiro deste ano, pelo cirurgião oncológico, Dr. Wostenildo Crispim. A paciente, que tratou um câncer de mama, fez uso do cateter poucos dias após o implante. Antes, Renata fez uma cirurgia de neoplasia de mama também no Hospital do Bem, onde fez todo o tratamento quimioterápico que consistiu de 20 sessões. Nessa segunda-feira (7), coincidentemente, Renata foi levar os últimos exames para a oncologista do Hospital do Bem, Dra. Nayarah Castro, que acompanha a paciente desde outubro do ano passado. Os exames constataram que não há mais doença no organismo da paciente e hoje ela tocou o sino da vitória que simboliza a eficácia do tratamento e, consequentemente, a cura.

A técnica de Enfermagem, que estava acompanhada do noivo, Herick Fernandes, disse que o acolhimento e tratamento que recebeu do Hospital do Bem fizeram-na mudar de conceito sobre pacientes e serviços oncológicos. “O Hospital do Bem fez toda a diferença em meu tratamento e na forma de como encarar a doença. A acolhida, o carinho e a atenção e cuidados que tive aqui mudaram a minha visão sobre o paciente de câncer. A fé em Deus, o apoio da família, de meu noivo também foram cruciais nesse processo que alcancei a cura. Agora tenho outra imagem de paciente oncológico e da conduta que devemos ter com eles”, disse Renata que, em breve, pretende retomar sua rotina de trabalho.

A aposentada Marli Alves da Silva, de 68 anos, de São Mamede, inaugurou os serviços cirúrgicos do Hospital do Bem, em setembro do ano passado, com a retirada de um tumor no endométrio. Ela também foi a primeira paciente a ser internada na unidade. Depois, fez sessões de quimioterapia no Hospital e outras sessões de radioterapia em João Pessoa. Ela também comemorou a cura da doença e disse que a facilidade de tratamento perto de casa e o carinho da equipe do Hospital do Bem foram fundamentais.

“Da recepção aos médicos, tudo aqui funciona muito bem, não há o que falar. Tive tudo o que precisei na área médica e mais ainda. Todos aqui nos recebem com sorrisos e nos enchem de esperança. E não foi só comigo. Isso é com todos os pacientes”, afirmou Marli, que aproveitou a comemoração de um ano e fez uma maquiagem com uma das profissionais que, voluntariamente, por causa de uma ação do Outubro Rosa, estavam à disposição das pacientes.

A dona de casa Arlinda Pereira da Silva, 73 anos, da cidade da Santana dos Garrotes, também tocou o sino da cura, na manhã desta segunda-feira (7). Acompanhada do marido, Jorge Calixto, que sempre esteve com ela em todas as sessões de quimioterapia, e da filha, Rosa Romildo, ela também recebeu a boa notícia de que está curada. No início, após o diagnóstico de câncer, segundo a Dra. Nayarah, a paciente Arlinda resistiu a fazer o tratamento, mas, logo que foi tranquilizada com explicações da conduta, encarou todos os procedimentos com dedicação e compromisso. “Quando soube que estava doente, eu não queria mesmo fazer o tratamento. Falam tantas coisas que fiquei com medo, mas, depois que a médica conversou comigo, resolvi fazer e deu certo, graças a Deus e ao tratamento”, lembrou Arlinda.

Sobre o Hospital do Bem – Após um ano de sua inauguração, o Hospital do Bem comprova que está cumprindo a missão de acolher e tratar os pacientes de câncer no interior do estado. Absorvendo boa parte do contingente de pessoas que antes da unidade só tinham a opção de tratamento do câncer em Campina Grande ou em João Pessoa, o Hospital contabilizou, de setembro do ano passado até agosto deste ano, a realização de 759 sessões de quimioterapia, 3331 consultas ambulatoriais, 726 internamentos e ainda 422 cirurgias, em pacientes de 80 municípios do interior. A unidade foi inaugurada no dia 3 de setembro de 2018. O Hospital oferta atendimento ambulatorial, tratamento quimioterápico e cirúrgico para quatro tipos de câncer: pele, próstata, mama e colo de útero, para pacientes regulados, ou seja, com consultas e procedimentos já agendados previamente, via Secretarias de Saúde dos municípios, através da Central de Regulação do Estado.

A unidade tem 25 leitos e uma sala de quimioterapia com capacidade para atender dez pacientes simultaneamente. Além dos serviços ambulatoriais, da quimioterapia e cirurgia, a unidade realiza diversos exames, tais como, ultrassonografia com doppler; tomografia; colposcopia, colonoscopia, endoscopia; eletrocardiograma; exames laboratoriais e Raio X. Prioritariamente, os serviços do Hospital do Bem são direcionados para a população dos municípios que compõem a 3ª macrorregião de saúde do Estado. Os exames são feitos no Centro de Diagnóstico, também inaugurado no ano passado, e que funciona dentro das instalações do Complexo Hospitalar de Patos.

PB Agora

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