As cortinas que separam os leitos dos pacientes em muitos hospitais servem para proteger sua privacidade, mas podem ameaçar sua saúde: geralmente carregam bactérias resistentes que podem contaminar os doentes, de acordo com um estudo divulgado nesta sexta-feira (12/4).
Ao todo, 1.500 amostras deste tipo de cortina foram coletadas para este estudo, e bactérias multirresistentes foram detectadas em mais de uma em cada cinco. Frequentemente, os pacientes carregavam as mesmas bactérias detectadas na cortina.
"Esses agentes patogênicos podem sobreviver nessas cortinas e, potencialmente, migrar para outras superfícies e para pacientes. À medida que essas cortinas são usadas em todos os lugares, é um problema global", disse uma das autoras do estudo, Lona Mody, médica e pesquisadora da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.
Os resultados deste estudo, a serem publicados em breve em uma revista médica, serão apresentados no Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas, que acontece de sábado a terça-feira em Amsterdã.
O estudo se concentrou em seis centros de enfermagem em Michigan. No total, os pesquisadores coletaram 1.500 amostras em cortinas de 625 quartos: primeiro, durante a internação dos pacientes, depois periodicamente, até seis meses depois, no caso de uma estada prolongada.
Amostras foram retiradas da borda das cortinas, onde são mais frequentemente tocadas. Resultado: 22% dessas amostras foram positivas para bactérias multirresistentes. Quase 14% estavam contaminadas com enterococos resistentes à vancomicina; mais de 6%, com bactérias gram-negativas resistentes; e cerca de 5%, com staphylococcus aureus resistente à meticilina, bactérias potencialmente mortais.
Em quase 16% dos casos, os pacientes tinham as mesmas bactérias que a cortina de onde estava internado. E cada vez que os pacientes tinham enterococos resistentes à vancomicina e staphylococcus aureus resistente à meticilina, sua cortina, também.
Segundo o estudo, as bactérias provavelmente passaram do paciente para a cortina, mas o inverso é "certamente possível", disse Mody à AFP. Ela acredita que mais estudos são necessários para determinar se essas cortinas são realmente uma fonte de contaminação bacteriana para os pacientes.
"Nós percebemos cada vez mais que o ambiente hospitalar desempenha um papel importante na transmissão de patógenos", acrescentou. "As cortinas são frequentemente tocadas com as mãos sujas e são difíceis de desinfectar", explica.
"As práticas variam de hospital para hospital, mas muitas vezes essas cortinas são mudadas a cada seis meses, ou quando estão visivelmente sujas", acrescentou.
Redação com Congresso Europeu
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