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Psicólogos ajudam a conviver com as emoções em meio à pandemia

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As emoções fazem parte da nossa vida desde criança, afloram quando nos tornamos adolescentes e normalmente permanecem durante a vida adulta. Mas, o que é a emoção? É como esse estado de sentimentos que resulta em mudanças físicas e psicológicas, está sendo afetado durante a pandemia causada pelo novo coronavírus. Especialistas comentam esse efeito e destacam como conviver com emoções é um grande desafio, afinal, elas estão à flor da pele e nem sempre sabemos lidar com elas da melhor forma.

Para entender melhor do assunto, a psicóloga Bruna Krimberg Von Mühlen, explica que todos temos emoções, porém, a educação cultural e social afeta de modo diverso a forma com que interpretamos esses estados de sentimento. Ela exemplifica mostrando as diferenças comportamentais expressas por meninos e meninas (já que são educados de maneiras diferentes).

Conforme a especialista, quando uma menina fica triste e chora, é considerado, muitas vezes, normal, mas quando essas ações são expressadas por um menino, a realidade é encarada de modo diferente, “ele já começa a ser treinado para não demonstrar suas emoções. Isso é muito sério. À medida que a adolescência chega, as emoções se potencializam e quanto mais elas são suprimidas, mais fortes ficam, então, é importante que os adolescentes saibam expressar e lidar com elas”, contextualiza.

Medo

O medo tem sido frequente nos últimos meses, não é?! Mas, de acordo com Von Mühlen, ele é uma das nossas emoções básicas e, apesar de gerar desconforto, precisamos dele. Diante da pandemia, por exemplo, se não sentirmos medo vamos sair na rua sem máscara e abraçar nossos pais e avós, que estão dentro do grupo de risco, sem nos preocuparmos. Porém, o medo demais também se torna disfuncional, porque ele paralisa e gera uma ansiedade elevada. Então, uma das formas de lidar com o medo é enfrentando-o, assim como as situações que geram esse sentimento.

Ansiedade

É cada vez mais comum ouvirmos alguém se queixar de ansiedade, o número de casos de pessoas ansiosas dobrou durante a pandemia. A ansiedade pode ser um sentimento bom quando esperamos pelo dia do nosso aniversário ou por encontrar alguém especial, por exemplo, mas, quando em excesso, se torna prejudicial. Bruna explica que a ansiedade aumenta quando a gente suprime ou quando alguém do nosso lado faz pouco caso de nosso sofrimento, e é importante conversarmos com alguém que nos compreenda. Se comunicar de forma honesta, expressar o que se sente, praticando uma comunicação assertiva, é uma forma de lidar com a ansiedade e outras emoções que nos acercam.

Assim também pensa a psicóloga Rosane Vieira que atribui a dificuldade da população em se expressar a uma carga cultural em que as pessoas são socialmente construídas para não exprimirem suas sensações mais profundas, pois assim estarão mais vulneráveis que outras. “A gente vive numa sociedade em que quem demonstra, dá aberturas para as pessoas se aproveitarem e isso vai nos tornando cada vez mais enclausurados em relação a demonstrar o que sentimos e ter medo de que esse sentimento não seja recíproco”. Rosane percebe que este movimento social leva as pessoas a se ressentirem mais e, então, guardarem os sentimentos para si mesmas. A psicóloga explica, no entanto, que o perfil afetivo das pessoas mudou bastante nos últimos doze meses, porque a população teve que se reinventar diante da nova dinâmica que o mundo vivencia. “A gente, hoje, tem estado mais distante fisicamente das pessoas e, com isso, precisamos aprender a nos expressar de outras maneiras”. Rosane diz que algumas formas de comprovação de afeto, como ligações (geralmente evitadas após o desenvolvimento da tecnologia), voltaram a ser opções viáveis.

“Não tem como o outro saber o que a gente está sentindo, se não expressarmos isso de quaisquer formas que sejam”, Rosane diz que, apesar de tudo, a pandemia ajudou as pessoas a liberarem seus sentimentos, já que, na ausência de contato físico, as coisas precisam ser ditas de maneira contundente para evitar interpretações confusas. Na opinião da profissional, neste contexto, o contato pode ser mais eficaz através de videochamadas, áudios e ligações e a pandemia pode ter facilitado já que as pessoas tendem a lidar melhor com seus sentimentos se ninguém estiver vendo por trás das telas.

Algumas técnicas podem ajudar a reduzir a ansiedade:

• Comer de forma saudável, ter horas de sono adequadas, evitar mexer no celular ou computador antes de deitar;
• Meditar, escrever o que está sentindo, ver filmes, passar tempo com a família;
• Praticar exercícios físicos, escutar música, tocar instrumentos, ter animais de estimação;
• Ler livros, pintar, desenhar.

Redação

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