Categorias: Brasil

MPF recupera fósseis de crustáceo brasileiro com 120 milhões de anos que estavam na Argentina

PUBLICIDADE

Como resultado do trabalho do Ministério Público Federal (MPF), fósseis da Martinsestheria codoensis – uma espécie de crustáceo muito pequeno com mais de 120 milhões de anos encontrado apenas na região do Araripe no Ceará – foram devolvidos ao Brasil. O material havia sido levado na década de 90 à Argentina por uma pesquisadora e permanecia na Universidad Nacional del Nordeste, em Corrientes. As peças têm grande valor científico, pois serviram de base para os primeiros estudos sobre essa espécie brasileira.

O retorno dos fósseis foi possível a partir da articulação entre o MPF; o Ministério das Relações Exteriores; o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); a Universidade Regional do Cariri (Urca) e as autoridades argentinas. “Esse trabalho interinstitucional foi fundamental para a rapidez do processo e o retorno do patrimônio histórico e cultural brasileiro para a região do Cariri”, destacou a secretária de Cooperação Internacional do MPF, Anamara Osório, durante a cerimônia de entrega dos fósseis, nessa quarta-feira (25), no Itamaraty, em Brasília (DF).

O pedido de devolução das peças ao Brasil é resultado de investigação aberta pelo procurador da República no Ceará Ricardo Mendonça, após ter recebido a informação dos pesquisadores da Urca de que o material estava na Argentina. O grupo monitora o envio irregular de materiais arqueológicos da região para fora do país. Após a atuação do MPF, via cooperação internacional, a universidade argentina concordou em devolver os fósseis. “ O material é importantíssimo em termos histórico, arqueológico e cultural, pois é a marca registrada da formação do Araripe e teve uma contribuição científica relevante”, pontuou o procurador.

Segundo a paleontóloga Edenilce Peixoto, os microfósseis recuperados da Argentina têm valor inestimável para a comunidade científica, pois serviram de base para a primeira descrição dessa espécie de crustáceo tipicamente brasileiro. São organismos bem pequenos, que aparecem como pontinhos brancos no material fóssil e exigem equipamentos especializados para visualização.

“Foi o primeiro organismo separado e estudado para descrever a espécie e publicar as informações voltadas à comunidade acadêmica. Para estudar outros organismos da mesma espécie será preciso compará-los com esse primeiro, por isso a importância de o material ter retornado ao seu local de origem”, explica a paleontóloga. Edenilce é curadora do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, vinculado à Urca, para onde os fósseis serão levados.

O museu também vai receber um fóssil de peixe em ótimo estado de preservação, que foi apreendido pela polícia italiana e encaminhado à embaixada brasileira no país. Além de servir para fins científicos, a ideia é que o material seja exposto para o público que visitar o local.

Proteção do patrimônio – A legislação brasileira determina que todo fóssil encontrado em território brasileiro pertence à União (ao Estado brasileiro) e é considerado patrimônio nacional. “O retorno dos fósseis ao Cariri é fundamental para a soberania brasileira, o avanço da pesquisa e a popularização da ciência”, comemorou a vice-reitora da Urca, Maria do Socorro Lopes.

Durante a cerimônia, o embaixador Laudemar Aguiar destacou a importância da cooperação internacional e da articulação diplomática no processo de repatriação dos fósseis. “A parceria com o MPF tem sido fundamental para conferir celeridade e trâmite adequado a dezenas de pedidos de repatriação do patrimônio cultural e histórico brasileiro”, pontuou.

Segundo ele, o retorno do bem ao Cariri fortalece o desenvolvimento regional e valoriza a ciência brasileira. O secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do MCTI, Inácio Arruda, também destacou o trabalho permanente do MPF na região do Cariri para a proteção do patrimônio arqueológico.

Repatriação – O Brasil possui uma das mais ricas diversidades de fósseis no mundo, especialmente em regiões como a Chapada do Araripe, que abriga fósseis do período Cretáceo – de 145 milhões a 66 milhões de anos atrás. “A vegetação e a fisionomia da região mudaram muito ao longo dos anos, com presença de rios, lagos e áreas marinhas a depender do período. Essa mudança de ambiente possibilitou a presença de grande quantidade de organismos preservados de origem marinha, aquática e terrestre”, explicou Edenilce Peixoto.

Contudo, por décadas, muitos desses fósseis de organismos foram retirados ilegalmente e enviados para coleções privadas e museus estrangeiros, muitas vezes sem o devido registro científico. O MPF já formulou 34 pedidos de cooperação internacional para obter informações e repatriar fósseis cearenses. De 2022 para cá, já conseguiu repatriar mais de mil fósseis de animais e plantas, extraídos da região e levados de forma irregular a outros países.

Os Estados Unidos e a Alemanha concentram o maior volume de solicitações para devolução do material. Também há pedidos direcionados ao Reino Unido, Itália, Espanha, Países Baixos, Coreia do Sul, Austrália, França, Suíça, Irlanda, Portugal, Japão e Uruguai.

PB Agora com informações do MPF

Últimas notícias

Bruno entrega creche requalificada para 270 crianças nas Malvinas: “Quando a gente investe na educação, Campina inteira cresce”

O prefeito Bruno Cunha Lima entregou, na tarde de hoje (14), a reforma e requalificação…

14 de abril de 2026

Saiba quem são os 10 nomes mais fortes na disputa por vagas na ALPB com base no apoio de prefeitos; duas são estreantes

Um levantamento divulgado na tarde desta terça-feira (14) pelo jornalista Bruno Pereira, durante o programa…

14 de abril de 2026

Usuária da Unimed JP denuncia plano de saúde por protelar transplante de medula óssea : “Corro risco real de morte”

Usuária do plano de saúde Unimed João Pessoa, Adriana Porpino usou seu perfil em uma…

14 de abril de 2026

Alvo de operação da Polícia Federal, ex-prefeito de Cabedelo Vitor Hugo diz ser vítima de perseguição

Após ser alvo da Operação Cítrico, da Polícia Federal, o ex-prefeito de Cabedelo Vitor Hugo…

14 de abril de 2026

JP passa a oferecer exames de sequenciamento genético para diagnóstico de doenças raras; saiba mais

João Pessoa tornou-se, nesta terça-feira (14), o primeiro centro especializado do Nordeste a realizar o…

14 de abril de 2026

Galdino defende descentralização de incentivos fiscais para impulsionar desenvolvimento regional na PB

A Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) aprovou, nesta terça-feira (14), o Projeto de Lei nº…

14 de abril de 2026