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Vitória de Lula é incontestável: PL também pediu mais tempo para votar

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi confirmada com uma vantagem de 4.430.191 votos sobre Flávio Bolsonaro (PL). Diante de uma diferença dessa dimensão, tentar atribuir o resultado às duas horas extras de votação, sem apresentar provas de irregularidades capazes de alterar o desfecho, é uma contestação que não se sustenta nos números disponíveis.

O dado mais expressivo é que, segundo levantamento divulgado pelo g1 com base nos registros das urnas eletrônicas, foram contabilizadas 35.521 confirmações de votos para presidente após as 17h. Mesmo na hipótese extrema de que todos esses votos tivessem sido destinados a Lula, a quantidade seria insuficiente para explicar a diferença entre os candidatos.

Há ainda um detalhe político que não pode ser ignorado: a própria campanha de Flávio Bolsonaro pediu a prorrogação do horário de votação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O pedido foi motivado por problemas relacionados a chuvas, alagamentos e falta de energia em municípios de cinco estados. A campanha de Lula também solicitou a ampliação, alegando dificuldades de transporte para os eleitores.

A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), ampliou o horário até as 19h nas seções que ainda estavam abertas. Como milhares de urnas já haviam sido encerradas, elas não foram reabertas. O levantamento sobre os votos registrados após as 17h, portanto, não deve ser confundido com a totalidade de eleitores que poderiam ter sido afetados por dificuldades de acesso às urnas.

O resultado oficial é objetivo: Lula recebeu 64.256.232 votos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 59.826.041. A diferença de mais de 4,4 milhões de votos não desaparece diante dos dados sobre a votação no período adicional.

É legítimo investigar denúncias sobre transporte, acesso aos locais de votação e eventuais falhas operacionais. O que não é legítimo é transformar suspeitas em provas ou apresentar uma hipótese como se ela fosse suficiente para invalidar o resultado de uma eleição. Questionar faz parte da democracia; sustentar acusações exige evidências.

Também é preciso separar a crítica à condução da votação da tentativa de deslegitimar a escolha popular. Se o próprio PL considerou necessário pedir mais tempo para votar em localidades afetadas por problemas climáticos, não é coerente tratar a prorrogação, por si só, como prova de fraude. O pedido da campanha não impede questionamentos jurídicos, mas enfraquece a narrativa de que a simples ampliação do horário tornaria o resultado ilegítimo.

Destarte, insistir que as duas horas extras explicariam a derrota, sem demonstrar como teriam alterado uma diferença de milhões de votos, revela uma fragilidade argumentativa. Quem apresenta essa hipótese como fato consumado, ignorando os números e o próprio pedido do PL, incorre em desonestidade intelectual.

A vitória de Lula deve ser reconhecida conforme o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral. Eventuais irregularidades precisam ser apuradas com transparência e provas, mas não podem servir de pretexto para substituir fatos por conveniências políticas. A democracia exige fiscalização, mas exige também respeito à decisão soberana dos eleitores.


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