A disputa pelas duas vagas ao Senado Federal na Paraíba escancarou uma profunda rachadura interna no Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Embora a sigla apresente pré-candidaturas ao pleito majoritário, na prática a tese de apoio integral às candidaturas do próprio partido naufragou no pragmatismo das alianças regionais.
A pré-candidatura de André Gadelha ao Senado nasce sob o signo do isolamento. Bastou o jogo afunilar para que importantes quadros do MDB virassem as costas para o companheiro de partido. Nos bastidores da política paraibana, a leitura é direta: sem densidade ou empenho da própria bancada para sustentar seu nome, Gadelha parece ter entrado na disputa apenas para “cumprir tabela” e dar volume cartorial à ata partidária.
Um dos movimentos recentes, veio do deputado estadual Felipe Leitão. Integrante ativo das articulações da legenda, Leitão tornou pública a decisão de fracionar o voto para o Senado: confirmou apoio a Veneziano Vital do Rêgo, mas fechou o segundo voto com Nabor Wanderley, do Republicanos.
A presença expressiva de lideranças no anúncio promovido pelo prefeito Leo Bezerra, em evento de apoio a Nabor no Hotel Manaíra, deixou claro que a prioridade do grupo é a sobrevivência e fortalecimento de suas bases, e não o alinhamento cego à chapa do MDB.
O distanciamento em relação a André Gadelha não é fato isolado de Felipe Leitão. Outros nomes de peso do MDB e da base aliada seguem o mesmo roteiro:
- Hervázio Bezerra: O experiente deputado estadual já avisou que seguirá a decisão do prefeito Léo, seu filho.
- Camila Toscano, Fábio Ramalho e Tovar, todos deputados do MDB, também rejeitaram André como opção.
- Leo Bezerra: O prefeito abriu publicamente dissidência ao declarar e oficializar apoio ao projeto de Nabor Wanderley ao Senado.
- Grupo ligado à Capital: Diversas lideranças políticas têm sinalizado flexibilidade na composição do segundo voto para o Senado, defendendo que a aliança com o Republicanos e outras forças se sobressaia.
A conjuntura desenha um cenário extremamente adverso para André Gadelha. Em uma eleição onde cada estado escolhe dois senadores, a estratégia natural de uma chapa forte seria promover a “dobradinha” nas urnas. Contudo, quando os próprios deputados e gestores da sigla preferem casar o voto de Veneziano com nomes de outros partidos — como Nabor Wanderley —, o segundo candidato do MDB torna-se uma peça figurativa no tabuleiro.
Para Gadelha, a missão de viabilizar sua candidatura torna-se uma verdadeira batalha contra a maré. Sem o engajamento da militância de base, sem o empenho político dos deputados estaduais da sigla e sem palanques regionais consolidados além do seu nicho no Sertão, ele enfrenta o desafio de furar a bolha de uma eleição majoritária fatiada pelos acordos estaduais.
A menos que haja uma reviravolta na condução partidária para impor disciplina, André Gadelha caminhará na corrida ao Senado como um candidato solitário dentro da própria casa.
PB Agora
