O discurso público de lideranças do PT de Campina é de que, após o Processo de Eleição Direta (PED) – que escolherá os novos dirigentes do partido -, os lados rachados começarão a se reunificar, visto que o partido tem o desafio de montar um palanque forte para a campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) na cidade. A realidade, entretanto, parece diferente da expectativa.

Nos últimos dias, os candidatos a presidente não pouparam críticas aos adversários na mídia campinense.  A troca de farpas entre os petistas tem marcado o processo na cidade. O atual presidente do diretório petista na cidade o ex-vereador Peron Perón Japiassú, que tenta reeleição disparou em entrevistas as emissoras de rádio que o partido passou por um tsunami, em referência ao antigo comando do partido em Campina.

“Nossa chapa se chama “Começar de novo”, porque passou um tsunami pelo PT ano passado. Estamos sem sede, sem móveis, mas apesar disso temos nos reunido semanalmente. Não estamos aqui só pra fazer política, estamos aqui para fazer história” disse

Perón disparou até contra as chapas estaduais, quando afirmou eu a candidatura de Lenildo, que é vice-prefeito de Patos, cuja prefeita Francisca Motta é do PMDB, deve se aliar ao partido de José Maranhão em 2014, o que vai contra seu desejo. “Eu tinha uma vontade de votar no padre Luiz Couto e não nego, mas muita coisa mudou desde que o PSB deixou a base de sustentação da presidente Dilma. Não tinha declarado voto a ninguém. Optei por Charliton e tenho uma admiração muito grande por Lenildo, porém ele está pisando na bola”, disse.

Eurivaldo Araújo – Já o candidato ao diretório municipal do Partido dos Trabalhadores em Campina Grande, Eurivaldo Araújo, ressaltou em entrevista a necessidade da legenda se voltar novamente aos movimentos sociais.
“A gente precisa voltar aos movimentos sociais, pois, após o PT assumir o governo do país, o partido se distanciou um pouco deles “, destacou.

Eurivaldo também ressaltou os erros de ordem administrativa da eleição, como a necessidade de um boleto que muitos militantes não conseguiram gerar, impedindo sua participação nas eleições deste domingo (10). Segundo ele, nem Socorro Ramalho, nem o irmão de Basílio Carneiro tiveram seus boletos para quitação de débitos liderados pelo partido.
Araújo também declarou apoiar, a nível estadual, o candidato Lenildo Morais, alegando que o mesmo tem grande história política no Estado.
“A gente não quer candidato para desfilar, a gente quer candidato para discutir projeto”, completou.

Basílio – Com declarações mais pesadas o radialista Basílio Carneiro, candidato ao diretório municipal do Partido dos Trabalhadores em Campina Grande, declarou em entrevista que pretende “combater as políticas de disfarce no PT”.
Segundo Basílio, o candidato ao diretório municipal Perón Japiassu, que inicialmente votaria no deputado Luiz Couto para estadual, mas anunciou a mudança de voto para o professor Charliton Machado, está pretendendo “anexar o PT a Prefeitura Municipal de João Pessoa”, visando a aliança com o PMDB em 2014.
“Quem vota no candidato vota em seu projeto político. Só vale a pena ficar no PT se a gente conseguir derrotar Charliton, porque se ele for eleito presidente do partido, seremos um anexo da PMJP. Aí não restará o que fazer”, revelou Basílio.

A atual, a vice-presidente do PT em Campina Grande, Maria do Rosário, afirmou que o diretório municipal está em crise. Para ela é necessário uma candidatura na cidade e seu nome está sendo cotado para disputar a presidência do partido e formar um projeto político na região.
Rosário disse ainda que em Campina Grande o PT chegou ao fundo do poço. Segundo ela, para reconstruir a cúpula é preciso criar um projeto de poder político para o município e apontar para 2016.
A petista acredita que os motivos da crise no diretório municipal foram as pós-alianças. “O problema não é fazer aliança, é como você se dá dentro da aliança. É preciso estabelecer uma relação de respeito e independência, e os companheiros do partido aqui em Campina Grande falharam nisso nos oito anos do governo Veneziano. Tivemos muito espaço e cargos, mas não soubemos como ajudar no crescimento do partido na cidade.”

Rosário defende a chapa de Luiz Couto a presidente do diretório estadual e por sua vez o apoio do partido ao governador do PSB Ricardo Coutinho.

O professor Hermano Nepomuceno candidato ao PT de Campina Grande, assume por sua vez uma postura mais amena de críticas e defende a volta de um PT de militância ativa e orgânica. "Meu desejo é contribuir com o debate, fortalecer a democracia interna, colocar o PT de volta nos movimentos sindicais, esse é meu discurso, isso e o que proponho, lógico que nossa carta programa traz muitos mais detalhes sobre nossa postulação", disse o agora candidato.
Resta saber se a chapa vencedora vai conseguir unir esse partido de tantas facetas e por fim ao mal-estar interno de longas datas.

PBAgora

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