Muito antes de abastecer torneiras e reservatórios, as águas do Rio São Francisco ajudaram a preservar uma das maiores tradições culturais da Paraíba. Em 2017, quando Campina Grande enfrentava uma das piores crises hídricas de sua história, a chegada das águas da transposição evitou o colapso do abastecimento e garantiu as condições necessárias para a realização do Maior São João do Mundo.
Naquele ano, o Açude Epitácio Pessoa, em Boqueirão, principal manancial responsável pelo abastecimento de Campina Grande e de dezenas de municípios da região, operava com menos de 3% de sua capacidade. O cenário preocupava moradores, comerciantes e organizadores do evento, que movimenta milhões de reais na economia paraibana e atrai visitantes de todo o Brasil.
A situação começou a mudar com a chegada das águas do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) pelo Eixo Leste da transposição. O percurso teve início em Pernambuco e alcançou a Paraíba através do município de Monteiro, em março de 2017. Pouco mais de um mês depois, as águas chegaram ao Açude de Boqueirão, iniciando a recuperação do reservatório e afastando o risco de desabastecimento.
Segundo a Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (AESA), a obra representou uma transformação histórica para a segurança hídrica do estado. O reforço no abastecimento beneficiou Campina Grande e diversos municípios atendidos pelo sistema de Boqueirão, garantindo maior estabilidade no fornecimento de água para a população.
Além do consumo humano, a recuperação do reservatório teve impacto direto na economia regional. O São João de Campina Grande, considerado um dos maiores eventos populares do país, depende de uma ampla estrutura de hotéis, restaurantes, bares, comércio e serviços, setores que registram aumento significativo na demanda durante o período festivo.
Atualmente, as águas do Rio São Francisco seguem desempenhando papel estratégico para a manutenção da segurança hídrica da região. A transposição beneficia milhares de famílias paraibanas e ajuda a assegurar que eventos de grande porte, como o São João de Campina Grande, continuem movimentando a cultura e a economia do estado.
Mais do que uma obra de infraestrutura, a chegada das águas do Velho Chico à Paraíba passou a ser vista como um marco para o desenvolvimento regional, garantindo não apenas abastecimento, mas também a continuidade de tradições que fazem parte da identidade do povo paraibano.
Redação com Brasil61
