As declarações do deputado estadual Walber Virgolino (PL) contra a filiação de policiais a partidos de esquerda repercutiram no meio político paraibano e motivaram uma resposta da tenente-coronel Viviane Vieira, pré-candidata a deputada estadual. Nesta quinta-feira (30), a oficial da Polícia Militar classificou como contraditório o posicionamento do parlamentar e defendeu que o debate sobre segurança pública seja pautado por propostas, e não por disputas ideológicas.
Durante entrevista à rádio FM 100.5, Walber, um dos principais nomes do bolsonarismo na Paraíba, afirmou considerar incompatível que integrantes das forças de segurança integrem partidos de esquerda. Sem citar nomes, o deputado mencionou legendas como PSB, Rede e PSOL.
“Me envergonha um policial se filiar a um partido de esquerda e querer usar o discurso de direita. Todos os partidos de esquerda têm como discurso acabar com as polícias, sobretudo com a Polícia Militar. Então imagina um policial militar se filiar ao PSB, à Rede ou ao PSOL”, declarou.
O parlamentar também afirmou que, em sua avaliação, as siglas de esquerda atuam para enfraquecer as corporações policiais.
“Todos os partidos de esquerda querem destruir as polícias. Eles trabalham para enfraquecer, para desmoralizar e fortalecer o crime. Então, é inadmissível, é vergonhoso um policial querer entrar na política por um partido de esquerda”, disse.
Por sua vez a tenente-coronel Viviane Vieira reagiu às declarações e afirmou ter se surpreendido com a posição de Walber. Segundo ela, o discurso do deputado é contraditório, lembrando que o próprio parlamentar já revelou ter recebido convite de um partido de esquerda para assumir um cargo no Executivo.
“Me admira uma fala dessa. Recentemente, em uma discussão com uma eleitora nas redes sociais, ele chegou a dizer que, como deputado estadual, não poderia fazer nada pela segurança pública. Além disso, ele próprio já afirmou que foi convidado por um partido de esquerda para ser secretário justamente pela credibilidade e pelo profissionalismo. Então, considero esse discurso paradoxal”, afirmou.
A pré-candidata também criticou a polarização política no debate sobre segurança pública e afirmou que a população espera soluções concretas para o enfrentamento da criminalidade.
“Não podemos tratar política como se fosse time de futebol. O debate precisa acontecer no campo das ideias. Eu tenho um plano efetivo de enfrentamento às facções criminosas para os primeiros 100 dias de governo e posso apresentá-lo ao governador Lucas Ribeiro. O que a população espera são soluções concretas para a segurança pública”, concluiu.
PB Agora
