Mais alinhado do que nunca com o Planalto, o PMDB que entrará no governo Dilma Rousseff a partir de 1º de janeiro de 2011 terá focos de dissidência que prometem muito barulho.

Liderança histórica da sigla, o senador Pedro Simon (RS) diz ter enxergado “esperança” no primeiro discurso de Dilma, quando prometeu privilegiar servidores públicos na construção da equipe de governo.

Mas ele se diz preocupado com a voracidade do próprio partido por cargos na Esplanada dos Ministérios. Avalia que Dilma vive um momento “delicado” e afirma que ela terá de "escolher" as companhias.

“Agora ela tem que escolher com quem irá governar. Enxerguei esperança no primeiro discurso dela, quando disse que iria indicar servidores de carreira, porque não há dúvida que, se o Serra tivesse vencido, seriam esses caras, que estão aí, que estariam no governo. Esse comando do PMDB é diabólico”, afirma o senador gaúcho.

Além de Simon, o ex-governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, eleito para o Senado com votação histórica, deve juntar-se ao senador pernambucano Jarbas Vasconcelos, nas críticas ao governo.

Ambos trabalharam pelo candidato do PSDB, José Serra, durante a campanha presidencial. “Estamos dando apoio e respaldo aos peemedebistas históricos que têm a mesma história de Serra, de luta pelas liberdades democráticas", disse Luiz Henrique, durante o segundo turno.

Governistas

Dentre os governistas, Dilma terá vários caciques peemedebistas batendo à sua porta a partir de 1º de janeiro de 2011. O vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB-SP), será responsável por conversar com as diferentes facções do partido nos 27 estados, mas um grupo seleto de líderes terá acesso direto ao gabinete de Dilma.

Além do Senado, na Câmara é o grupo do deputado Henrique Eduardo Alves (RN) que já se movimenta para assumir o comando da Casa, quando Temer passar a ocupar a Vice-presidência da República.

Alves chega fortalecido por ter desempenhado papel de destaque nas negociações de interesses governistas durante o governo Lula.

Grupos regionais

Fortalecidos pela votação registrada no primeiro e segundo turnos da eleição, grupos locais como o do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, também terão influência em assuntos importantes do futuro governo, como a discussão do modo de partilha dos recursos da exploração da camada pré-sal, por exemplo.

Além de lidar com todos os setores do PMDB, simpáticos ou contrários ao governo, Dilma terá ainda a missão de consolar líderes que saíram desgastados das eleições deste ano. O ex-ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, derrotado pelo petista Jaques Wagner na disputa pelo governo da Bahia, e Hélio Costa, derrotado na campanha para o governo de Minas Gerais, são quadros que eventualmente poderão ocupar espaços em Brasília.

Eleita com mais de 55 milhões de votos, Dilma terá a companhia de governadores aliados em 16 dos 27 estados do país – a oposição governará em dez, e Omar Aziz (PMN), apoiado tanto por governistas como por opositores, governará o estado do Amazonas. Em todos os estados, no entanto, Dilma terá contas a acertar com grupos e prefeitos peemedebistas que fizeram campanha orientados por Temer.
 

O presidente do Senado, José Sarney (AP), e seu grupo, composto pelos senadores reeleitos Romero Jucá (RR), Renan Calheiros (AL) e Edison Lobão, são exemplos, na avaliação do cientista político e pesquisador da Universidade de Brasília (UnB) Leonardo Barreto.

“O grupo do Sarney, que contempla Edison Lobão, Renan Calheiros, Romero Jucá, entre outros, representa uma velha elite. Um grupo da velha política”, avalia Barreto.

Todos os nomes citados pelo especialista ocuparam postos de destaque ao longo dos oito anos de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e devem assumir a postura de protagonistas no governo Dilma.

Lobão foi ministro de Minas e Energia e é candidato a retornar ao cargo ou suceder Sarney na presidência do Senado. Jucá deve continuar na liderança do governo no Senado e Renan, que também presidiu a Casa no governo atual, ensaia um incerto retorno.

 

G1

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