Por pbagora.com.br

Aécio Neves e José Serra são personagens de “Daquilo que eu sei – Tancredo e a transição democrática”, livro de memórias do ex-deputado e ex-ministro da Justiça Fernando Lyra, obra cujo lançamento reunirá hoje no Recife os dois governadores e presidenciáveis tucanos. Aécio é apontado, nas páginas finais do livro, como um dos políticos que simbolizam ?este momento novo, este avanço histórico que acontece sob os nossos olhos?. Já Serra é citado apenas de passagem, na introdução da obra, por conta de um discurso feito em 1964, quando presidia a União Nacional dos Estudantes (UNE), no qual protestava contra o golpe militar em andamento.

 

O discurso, transmitido pelo rádio, foi ouvido no Recife por Fernando Lyra, então ?com 25 anos e praticamente nenhuma atividade política?. Nas décadas seguintes, ele estaria na linha de frente do movimento de oposição à ditadura e exerceria papel central nas articulações que dariam a vitória a Tancredo Neves – avô de Aécio – na eleição indireta de 1985, pondo fim ao regime militar. Lyra escolheu Tancredo – a quem dá o tratamento de ?doutor? em todo o livro – como candidato já em 1983. Naquele ano, acompanhou sua posse no governo de Minas e começou a preparar terreno no PMDB e também no governista PDS, cuja divisão seria fundamental para a vitória.

 

A comemoração deu lugar ao desalento com a doença que impediu a posse do mineiro e o levou à morte. Foi o dia mais angustiante dos meus 32 anos de vida parlamentar, disse Lyra, sobre a data em que José Sarney assumiu o governo, em meio ao temor de um retrocesso na transição democrática. Convidado por Tancredo para o Ministério da Justiça, o pernambucano acabou assumindo a pasta no governo de Sarney, com quem não tinha proximidade. Ficou apenas 11 meses no cargo.

estadao.com.br

 

 

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