Após ganhar novos contornos, a discussão da PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 também repercutiu entre parlamentares paraibanos nesta terça-feira (26). Enquanto o deputado estadual Sargento Neto, do PL, demonstrou preocupação com os impactos econômicos da proposta e classificou o debate como “eleitoreiro”, a deputada estadual Cida Ramos, presidente estadual do PT, saiu em defesa da matéria e criticou o adiamento da votação.
A PEC, que reduz a jornada semanal para 40 horas e prevê mudanças na tradicional escala 6×1, deve avançar rapidamente no Congresso. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, aposta na aprovação do texto ainda esta semana na Casa. Já no Senado, o presidente Davi Alcolumbre tem sinalizado a interlocutores que o cenário também é favorável à aprovação da proposta ainda este ano.
Apesar do avanço, empresários articulam mudanças no texto para ampliar o período de transição. Nesta terça-feira (26), representantes do setor produtivo devem se reunir com Alcolumbre para defender uma adaptação gradual de quatro anos até a implantação definitiva das 40 horas semanais.
Na Paraíba, Sargento Neto afirmou reconhecer a necessidade de descanso regular para os trabalhadores, mas cobrou mais clareza do governo federal sobre os impactos da mudança para o setor produtivo.
“A gente sabe que o trabalhador faz jus a tudo aquilo que ele trabalha, tem que ter um descanso regular dessa carga horária que ele enfrenta, mas o governo federal precisa ainda bem se posicionar”, declarou.
O parlamentar também avaliou que a discussão precisa ocorrer com cautela, especialmente diante do cenário político nacional.
“As medidas eleitoreiras serão tomadas esse ano, então a gente tem que ter muito cuidado”, afirmou, ao defender ainda medidas compensatórias para empresários.
Já Cida Ramos defendeu a PEC e afirmou que a proposta atende aos interesses da classe trabalhadora. A deputada também criticou o pedido de vistas apresentado pelo deputado federal Maurício Marcon, do PL do Rio Grande do Sul, que deve atrasar a tramitação da matéria.
“O argumento apresentado pelo deputado Maurício Marcon é um argumento mesquinho. Ele diz que precisaria ter interesse do próprio funcionário”, disparou.
No Senado, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Otto Alencar, já admitiu que alguns setores da economia precisarão de mais tempo para adaptação, embora avalie que áreas como a construção civil já estejam preparadas para a mudança.
A proposta vem dividindo opiniões entre trabalhadores, empresários e lideranças políticas, sobretudo por causa dos impactos econômicos e das mudanças nas relações de trabalho. Ainda assim, nos bastidores do Congresso, cresce a avaliação de que o ambiente político e o ano eleitoral devem acelerar a votação da PEC.
PB Agora