O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Ronaldo Marzagão, pediu demissão do cargo na noite desta terça-feira.

O governador José Serra (PSDB), que tinha Marzagão como secretário de Segurança Pública desde o início de sua gestão, aceitou o pedido, ressalvando que considera Marzagão “um exemplo de integridade, lealdade e dedicação”.

Apesar de Marzagão ter alegado “motivos estritamente pessoais”, o desgaste provocado pelas acusações de corrupção contra seu ex-secretário-adjunto Lauro Malheiros Neto contribuiu para sua saída.

Malheiros deixou o cargo em maio de 2008, mesmo mês em que o policial civil Augusto Peña foi preso sob suspeita de extorsão de dinheiro.

O novo secretário ainda não foi escolhido.

Leia a nota completa na Folha desta quarta, que já está nas bancas.

Augusto Peña

No dia 4 de fevereiro de 2009, Peña prestou depoimento ao Ministério Público acusando Malheiros de vender cargos de chefia dentro da Polícia Civil. Ele disse ainda que um esquema de corrupção funcionava na sede da Secretaria de Segurança, na rua Líbero Badaró (centro de SP). Malheiros nega todas as acusações.

No depoimento aos promotores, Peña citou o nome de seis delegados que, segundo ele, teriam pago propina a Malheiros Neto para conseguir escolher cargos. Os depoimentos estão sendo mantidos em sigilo. Dois dos envolvidos já deixaram as funções após a saída de Malheiros Neto da secretaria.

Para obter a vaga, os interessados pagariam de R$ 100 mil a R$ 300 mil, além de pagamentos mensais ao ex-secretário. Uma das hipóteses é que os policiais pagavam para ficar em delegacias onde depois poderiam praticar algum crime, como extorsão, e obter lucros.

Foi a primeira vez que Peña, acusado de vários crimes, admitiu manter uma relação próxima com o ex-secretário.

Peña também admitiu ao Ministério Público ter exigido dinheiro para não prender, em março de 2005, Rodrigo Olivatto de Morais, 28, enteado de Marco Willians Camacho, o Marcola, tido pela polícia e pelo Ministério Público como chefe da facção criminosa PCC.

Até o dia 4, Peña sempre negara o crime. Peña também é réu em processo no qual é acusado de exigir R$ 150 mil de um empresário para não forjar uma investigação contra ele.

Ao assumir parte dos crimes imputados a ele pelo Ministério Público, Peña tenta obter o benefício da delação premiada.

Desgaste

Em entrevista concedida no último dia 13, Marzagão admitiu que as denúncias de corrupção “desgastam” a imagem da polícia e da pasta. Na ocasião, o ex-secretário afirmou que “não ia jogar a poeira debaixo do tapete”.

No início de março, o Ministério Público do Estado em Guarulhos (região metropolitana) recebeu um vídeo amador no qual o sócio de Malheiros –o advogado Celso Augusto Valente–, explica a um policial como funciona o esquema de vendas de sentenças.

Marzagão afirmou desconhecer as denúncias contra Malheiros e declarou-se “surpreso” e “impressionado” com as acusações contra o ex-secretário-adjunto. Segundo Marzagão, as investigações sobre as denúncias estão sendo acompanhadas pela secretaria.

“Recebi as acusações com surpresa pela sua gravidade. Posso assegurar que o governo [do Estado], a secretaria e a polícia tem o maior interesse em apurar o caso”, afirmou. “Desde o início da nossa gestão, 474 policiais militares e 186 policiais civis foram demitidos. […] É um exemplo que não nos preocupamos em cortar da nossa própria carne.”

Outros casos

Além da suspeita de venda de cargos na Policia Civil, a Polícia Militar de São Paulo também enfrenta dois casos de suspeita de irregularidades.

Desde o início de março, nove policiais militares foram presos por suspeita de extorquir perueiros irregulares e receber propina da máfia do jogo na Grande São Paulo.

O outro escândalo na PM aponta a existência de um suposto grupo de extermínio composto por policiais, apelidado de “Os Highlanders”, suspeitos de matar e decapitar pessoas na Grande São Paulo.

Folha Online

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