Depois de fazer duras críticas ao PMDB, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) foi destituído da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado pelo líder do partido na Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL).

A substituição de Jarbas pelo senador Francisco Dornelles (PP-RJ), que vai ocupar sua vaga na CCJ, é uma retaliação da legenda às críticas de Jarbas ao PMDB feitas à revista “Veja”. O senador chegou a afirmar que o PMDB é um “partido sem bandeiras, sem propostas nem norte” e a maioria dos seus integrantes “quer mesmo é a corrupção”.

 

Oficialmente, Renan sustenta que Jarbas será retirado na comissão porque não encaminhou ao partido o pedido para integrar a CCJ –ao contrário do senador do PP. Renan estaria priorizando os parlamentares que solicitaram à liderança vagas nas comissões permanentes da Casa.

Nos bastidores, porém, Renan admite a interlocutores que não vai manter na CCJ um senador que votará contra os interesses do partido na comissão. Renan considera Jarbas “desagregador” dentro do partido pelas suas posições mais afinadas com as legendas de oposição, como o DEM e o PSDB.

No final de 2007, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) chegou a ser destituído da CCJ depois que anunciou seu voto contrário à manutenção da hoje extinta CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).

Na época, o então líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), também ameaçou tirar Jarbas da comissão –mas voltou atrás depois da repercussão negativa do caso.

Discurso

Além de criticar o PMDB em entrevista à revista “Veja”, na semana passada, Jarbas promete ocupar hoje a tribuna do Senado para fazer um discurso contrário à corrupção.

O senador disse que não vai citar nomes nem mencionar casos específicos apontados como exemplos de corrupção e nomeações indevidas pelo PMDB. O objetivo do parlamentar, segundo ele, é advertir a legenda sobre suas posições políticas.

“É preciso fazer uma reforma política urgente para tentar resolver tudo”, disse ele. “Se a reforma for fatiada não resolve. É necessário definir critérios para fidelidade partidária, sem janela, e cláusula partidária.”

Jarbas também prepara um projeto de lei que impede que partidos políticos indiquem nomes para o cargo de diretor financeiro de estatais. O peemedebista disse que sua proposta inclui ainda a necessidade de que o cargo seja ocupado por funcionários de carreira que serão submetidos antes de assumirem as funções à sabatina no Senado.

Folha Online

 

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