Familiares do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e do ex-tesoureiro do extinto PL (atual PR) Jacinto Lamas conseguiram entrar nesta sexta-feira (29) na Penitenciária da Papuda fora dos dias normais de visita, mesmo após a Justiça do DF determinar "tratamento igualitário" em relação aos demais presos no local.

A mulher de Lamas, Romi Adriani Poffo, e o padre Patrick Walsh, dos Legionários de Cristo, foram os primeiros visitantes a chegar à Papuda ainda pela manhã. Mais tarde, chegaram quatro pessoas para ver José Dirceu, segundo informou à imprensa um agente penitenciário que trabalha na guarita.

Em geral, as visitas ocorrem às quartas e quintas. Desde que foram presos, no entanto, os condenados no mensalão passaram a receber parentes e parlamentares em outros dias da semana, enquanto famílias de outros presidiários continuavam na fila.

 

Nesta quinta (28), a pedido do Ministério Público, a Vara de Execuções Penais mandou dar tratamento igual para visitas e alimentação em vista de "insatisfação" e "instabilidade" verificados na penitenciária com o privilégio. No sábado passado (23), a Sesipe – órgão que administra a Papuda ligado à Secretaria de Segurança do DF – decidiu separar as sextas para as visitas dos condenados do mensalão presos no semiaberto por razões de segurança.

Procurada pelo G1 para explicar a nova exceção, mesmo após decisão em sentido contrário da Justiça, a Secretaria de Segurança respondeu em nota que manteve a visita às sextas. "Não há tratamento diferenciado entre os sentenciados da AP 470 [processo do mensalão] e os demais presos que fazem parte da massa carcerária do DF", afirmou a pasta.

À TV Globo, o diretor da Papuda, João Feitosa, disse que os visitantes encontrariam os presos no pátio, como os demais, e negou tratamento especial. Ele reafirmou que a mudança da data se dá por questões de segurança; no sábado, a Secretaria de Segurança afirmou que o objetivo era evitar rebeliões ou sequestros de "famosos" e autoridades.

O diretor Feitosa também disse que visitas com necessidades especiais, como cadeirantes, ou em situações de maior perigo próprio e ao detento, podem visitar presos no pátio da penitenciária no último dia útil da semana.

 

Ao G1, o Ministério Público informou, via assessoria, que a recomendação foi dada e que, por enquanto, não tomará novas medidas. O G1 não conseguiu contato com a assessora da VEP e do Tribunal de Justiça do DF para comentar o caso.

 

G1

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