O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou, em discurso nas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), nesta segunda-feira (23), em São Paulo, que a crise que a Casa atravessa se refere à “estrutura burocrática” do órgão, e não à sua gestão.

 

Na semana passada, uma auditoria revelou a existência de 181 diretores na Casa, incluindo para uma para “garagem” e outra para “check in” em aeroportos. Cinquenta cargos de diretoria foram cortados.

 

“Os problemas caíram no meu colo (…), tive que demitir diretores, afastei bancos agiotas, reduzi em 10% os gastos, chamei a Fundação Getúlio Vargas para fazer uma reforma administrativa que reduzirá custos e aumentará a eficiência”, disse.

 

‘Pequena reforma’

Em entrevista após a palestra, Sarney disse que o Senado fará uma pequena reforma antes da conclusão do estudo da FGV. Questionado, ele negou informações de reportagens publicadas na imprensa de que parte das diretorias da Casa teriam sido criadas em sua gestão anterior como presidente do Senado.

 

“Estou há 45 dias lá, qual cargo foi criado por mim?”, questionou. “Não posso dizer que não criei nenhuma diretoria porque não me lembro. Mas em 2001 é que fizeram a grande mudança”, disse.

 

No discurso, o senador prometeu corrigir os problemas. “Não tenho mais aspirações de futuro, no próximo ano completarei 80 anos. Mas tenho passado e preciso zelar por esse passado. Posso assegurar que vou fazer o necessário para dirimir erros e evitar alguma Justiça com funcionários do Senado recrutados por concurso.”

 

Denúncias

A auditoria que “revelou” os 181 cargos apontou que metade das diretorias poderiam ser cortadas. Desde então, o número de diretores já foi reduzido em 50. Com o corte, a economia foi estimada em R$ 400 mil mensais.

 

O primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), afirmou que o crescimento do número de diretoria veio acontecendo ao longo dos últimos 12 anos. Foi ele quem determinou o corte imediato dos 50 diretores.

 

O Senado vem sendo alvo de uma onda de denúncias desde a posse de Sarney. O primeiro a cair foi o então diretor-geral Agaciel Maia. Ele deixou o posto após a denúncia de que teria ocultado de sua declaração de bens uma mansão de R$ 5 milhões em Brasília.

Na sequência veio a revelação de que a Casa teria pago horas extras aos funcionários no mês de janeiro, apesar de não ter realizado sessões. O pagamento foi considerado legal, mas alguns senadores determinaram a devolução do dinheiro, que será feita em dez vezes.

Outro caso derrubou o diretor de Recursos Humanos da Casa, João Carlos Zoghbi. Ele repassou a seus filhos um apartamento funcional que recebeu do Senado para sua própria moradia. Ele morava em um casa no lago Sul, bairro nobre de Brasília.

 

‘Gafe’

Em seu discurso, Sarney lembrou avanços obtidos pela democracia, a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como exemplo de um operário chegando ao poder e a eleição de Barack Obama para a Presidência dos Estados Unidos.

 

“Temos a felicidade de ver um preto presidente dos Estados Unidos”, disse. Alguns segundos depois, desculpou-se. “Um negro, perdão”. E emendou: “Também, falando quase uma hora, tinha que cometer uma gafe.”

globo.com

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