O clima político dentro do Partido dos Trabalhadores na Paraíba ganhou contornos de confronto direto nesta segunda-feira (20). Em entrevista ao programa Arapuan Verdade FM, o presidente do PT de Campina Grande, Pedro Netho, reagiu com estranhamento às declarações da presidente estadual da legenda, Cida Ramos, e afirmou desconhecer qualquer orientação oficial para que o partido apoie três nomes ao Senado em 2026.
A polêmica surgiu após Cida Ramos sinalizar que a estratégia do PT passaria por um “palanque aberto” contemplando Veneziano Vital do Rêgo (MDB), João Azevêdo (PSB) e Nabor Wanderley (Republicanos). Netho foi enfático ao rebater a tese e reafirmar que a base campinense só reconhece dois nomes como legítimos defensores do projeto de Lula no estado.
“Eu desconheço essa orientação de voto em três senadores. O que vinha sendo discutido e debatido era as candidaturas de Veneziano e Ricardo Coutinho. Para mim é novidade que Nabor Wanderley entre como opção de escolha para o Partido dos Trabalhadores”, disparou o dirigente municipal.
O fator Nabor Wanderley
O estranhamento de Pedro Netho expõe um racha na tática eleitoral. Enquanto a executiva estadual tenta acomodar aliados para ampliar a base governista, o PT de Campina Grande emitiu uma nota pública fechando questão em torno de Veneziano e João Azevêdo. Para Netho, a entrada de Nabor Wanderley no cenário petista não possui respaldo nas discussões internas das quais participou até o momento.
Apesar de reconhecer que a decisão final sobre as alianças majoritárias cabe às instâncias estadual e nacional, o presidente municipal fez questão de marcar posição em defesa da militância. Segundo ele, o Senado é um alvo estratégico da extrema-direita e o partido não pode abrir mão de candidaturas que tenham compromisso histórico e comprovado com o governo Lula.
Reiteração da vice-governadoria
Enquanto o embate pelo Senado ferve, Cida Ramos tenta manter o foco na ocupação de espaços no Governo do Estado. A deputada celebrou a nomeação de Neide Nunes para o secretariado e reforçou que o próximo passo inegociável é a conquista da vice na chapa encabeçada por Lucas Ribeiro.
A divergência pública entre Netho e Cida agora coloca sob pressão a unidade do PT na Paraíba. De um lado, Campina Grande cobra fidelidade aos nomes postos; do outro, a presidência estadual busca flexibilidade para garantir a sobrevivência e o crescimento da sigla no arco de alianças majoritário.
Redação
