Nas eleições de 2026, os paraibanos vão eleger 12 deputados federais e dois senadores. Embora cada voto tenha o mesmo valor jurídico, a representação de cada eleitor no Congresso Nacional varia de acordo com o estado.
Na Paraíba, que possui 3.247.397 eleitores aptos, cada uma das 12 cadeiras na Câmara dos Deputados representa, em média, 270.616 eleitores. Já no Senado, onde cada estado possui três cadeiras, cada vaga corresponde a cerca de 1.082.465 eleitores.
A diferença fica evidente quando comparada a outros estados. Em Roraima, por exemplo, cada deputado federal representa cerca de 50 mil eleitores, enquanto em São Paulo esse número chega a aproximadamente 487 mil eleitores por cadeira. No Senado, a discrepância é ainda maior: cada senador representa cerca de 133 mil eleitores em Roraima, contra mais de 11,3 milhões em São Paulo.
Essa diferença ocorre porque a Constituição Federal estabelece um mínimo de oito e um máximo de 70 deputados federais por estado, independentemente do tamanho do eleitorado. No Senado, todos os estados e o Distrito Federal elegem exatamente três senadores, garantindo igualdade entre as unidades da federação.
Segundo o cientista político Eduardo Grin, da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP), esse modelo gera uma distorção na representação democrática, já que estados menos populosos acabam proporcionalmente mais representados que os maiores. Por outro lado, ele ressalta que um sistema totalmente proporcional também poderia concentrar excessivo poder político nos estados mais populosos.
Qualquer mudança nesse modelo dependeria de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), aprovada pelo Congresso Nacional, cenário considerado pouco provável por especialistas devido aos interesses dos estados que hoje são beneficiados pelo sistema.
Com formações do Brasil 61, com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Câmara dos Deputados e Senado Federal.
Redação
