Muito mais amparado pela razão, do que por motivos corporativos, sou plenamente contra as investidas do valente deputado Wallber Virgolino contra a minha categoria. Sendo assim, portanto, chancelo as notas de repúdio divulgadas tanto pelo Sindicato dos Jornalista, como pela Associação Paraibana de Imprensa (API), entidades às quais sou filiado.

Por uma questão de coerência, entretanto, sou obrigadíssimo a concordar com a instalação de uma Comissão Paralamentar de Inquérito (CPI) para apurar uma suposta relação profissional incestuosa de alguns coleguinhas com o erário, conforme reiteradas vezes tem denunciado o tal deputado.

A minha obrigação de concordar com esta CPI é motivada por uma razão muito simples: desde que comecei a alinhavar maus traçadas linhas no relato jornalístico das atividades dos nossos políticos, sempre fui a favor de CPIs, contra quem quer que seja, inclusive, de deputados argumentando que, além de ser este um instrumento legal, só quem tem medo de CPI é quem tem culpa no cartório.

Discordando

Sempre rechacei a famosa argumentação de alvos de CPIs, segundo a qual, nos respectivos casos, as comissões são usadas para promover palanque eleitoral para os seus proponentes.

Não seria agora, portanto, quando a minha categoria está sendo encurralada, que iria incorrer no mesmo erro por motivos corporativos. Muito embora tenha convicção (e neste caso posso tê-la porque não sou Sérgio Moro, nem juiz em vias de julgamento) de que a intenção do parlamentar é muito mais intimidar uma imprensa que lhe faz crítica do que, propriamente, zelar pelo erário.

Penas ao vento

Nenhum um pouco habituado a receber críticas, o deputado Wallber Virgolino tem sido recorrente nas acusações à imprensa, da mesma forma que esta tem constantemente lhe atirado críticas.

Detalhe: sempre que a imprensa critica o deputado Wallber Virgolino, fundamenta tudo o que está dizendo, explicitando as razões.

Já o deputado Virgolino simplesmente levanta suspeita sobre as atividades dos jornalistas, nunca relata, sequer, indícios e, muito menos, dá nome aos bois, colocando na vala comum toda uma categoria, inclusive, vários jornalistas que não lhe tem poupado elogios.

Agindo assim, o deputado se compara àquela figura que sobe ao telhado e de lá joga um balaio de penas à ventania, que jamais serão juntadas.

Portanto, para que toda uma categoria não pague por possíveis erros de alguns, melhor seria se o deputado desse nome aos bois sempre que fizesse alguma acusação.

O melhor para todo mundo, principalmente para nossa categoria, seria que a Assembleia Legislativa instalasse mesmo esta comissão até para, se for o caso, desmoralizar o deputado Virgolino, mostrando que as suas acusações são infundadas. E, se por acaso ele estiver certo e algum jornalista estiver envolvido com irregularidades no setor público, que paguem (o jornalista e o poder público) pelos prejuízos ao erário.

Sugestão

Quero humildemente propor ao eminente autor desta CPI que inclua no rol das tais investigações não só este ou aquele jornalista que dirige críticas ao parlamentar, mas também, os que elogiam além de empresas como agências de publicidade, de marketing e grandes veículos de comunicação que são os que mantêm as contas mais cobiçadas no âmbito do serviço público.

Pra mim, só existe uma regra, seja para deputado, para jornalista ou para quem quer que seja: quem não deve não teme.

 

Wellington Farias

PB Agora

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