Ao comentar a Operação Calvário, que está investigando supostas irregularidades envolvendo contratos de sua gestão no Governo da Paraíba com a Cruz Vermelha, o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) queixou-se de que está sendo perseguido.

A propósito, previu: “Vou ganhar este jogo, seja em que instância for, mas vou ganhar”.
Nesta segunda parte da entrevista que concedeu durante uma live com o autor da coluna e a jornalista Eloise Elane, pelo Instagram @w_farias, Ricardo – que é presidente da Fundação João Mangabeira – opinou que o governo do presidente Jair Bolsonaro precisa ser interrompido, pelos danos que tem causado ao Brasil.

Coutinho também faz uma análise sobre a nova direita que, segundo ele, se reformulou no mundo. Disse que o Brasil serviu de laboratório para as mudanças protagonizadas por esta direita, a começar do golpe contra a presidente Dilma.

Segue o resumo da segunda parte da entrevista:

Operação Calvário

Tem duas discussões aí. Uma é dizer que eu me sinto íntegro, de cabeça erguida. Não existe e nem vai existir… olhe o que eu estou dizendo aqui: não existe e nem vai existir, porque nunca houve absolutamente nenhuma comprovação de atos ilícitos meu, Ricardo Vieira Coutinho. Quem me conhece ou quem privou da minha amizade sabe o que eu estou dizendo. Então, essa coisa de achar que eu por ventura possa estar incomodado, além da injustiça, com esse procedimento, com esta operação, com essa perseguição contra o projeto que eu represento e contra mim particularmente, mas essencialmente contra o projeto. Porque se eu fosse igual a muita gente que passa pela política, faz o que os homens querem, não tenta mudar absolutamente nada… o mundo tá cheio aí, a Paraíba está cheia. Agora comigo não. Eu tiver a ousadia e teria novamente de inverter essa pirâmide de poder aqui dentro e, ao mesmo tempo, democratizar. Se em algum momento eu tivesse a capacidade de expressar em números, por exemplo, em escolas, hospitais, em estradas, em adutoras, o que significa isso para a Paraíba, as pessoas iriam perceber o que eu falo em termos de democracia real. Essa é uma coisa que não me incomoda. Esse debate eu venço porque eu ando de cabeça erguida e sabe o que eu fiz. Nenhum governo investiu como eu investi. Não existe pra trás nem vai existir pra frente. Você não vai ter governo pra frente que faça 2.880 quilômetros de estradas, você não ver governo que tenha feito 1.500 quilômetros de adutora.

Aliança do ódio

A outra parte é sobre o capital político. Evidentemente que eu sou alvo de uma perseguição terrível. Tivermos uma grande aliança formada aqui na Paraíba, que eu denomino aliança do ódio, porque é do ódio mesmo, que se junto em torno de uma acusação que não teve sequer a paciência de ir em busca daquilo que estava acusando, se tinha ou não consistência. Eu sou acusado, por exemplo, de ser dono de uma tal de uma empresa lá em São Paulo. Arrumaram um triplex pra mim. Então, esse impacto nas pessoas não é um impacto da mídia não. Fizeram um cerco de um ano e sete meses e não botaram uma prova em cima da mesa, a não ser uma narrativa e acusações e vão vir mais depois dessa entrevista de hoje. Agora eu to preparado para isso. Eu tenho preparo pra isso. Eu sei o porquê de eu e os companheiros estarmos sendo perseguido dessa forma. Porque nós mudamos muita coisa na política. A política saiu da casa grande, passou a olhar para quilombolas, para muitas comunidades agrícolas da agricultura familiar, para o povo em geral. O Estado não produz dinheiro. Nós democratizamos o dinheiro, levando para os locais mais distantes e isso causou um desconforto nos setores. Eu estou jogando esse jogo e vou vencê-lo. Não sei em que instância, não sei aonde, mas eu vou vencê-lo porque acredito na justiça e ela não pode se mirar pelas palavras por uma delação induzida, claramente induzida porque as pessoas só saiam se citassem o nome de Ricardo Coutinho que era o alvo.

Áudios do delator Daniel Gomes

São áudios truncados, que não têm a preservação natural de uma conversa e, ao mesmo tempo, são áudios induzidos. Porque, veja bem, a história do Unifesa, vou retomar esse tema porque foi uma acusação que no Ministério Público fez dizendo que eu sou dono, na terceira ou quarta página, de uma empresa lá de São Paulo; na trigésima página, diz que eu tenho 5%, ou seja, eu de dono da empresa passei a ter só 5%. Não tenho nem 5%, nem sou dono e nem quero ser. Tem um áudio em que tem um blefe, e você sabe que na política o que não falta é blefe. Eu fiz muitos blefes e faço. Tinha um deputado de oposição que na Assembleia dizia que eu botava a seta para a direita e eu entrava para a esquerda. E eu achei até interessante, porque na política todos fazem isso. Mas não só na política, imagine a quantidade que existe de blefes em uma delação em qualquer canto. Então, existia um blefe em que eu precisava saber de uma informação de que havia alguém o extorquindo. Eu que tinha interesse em saber porque, segundo ele, era agente do Tribunal de Contas do Estado. Enfim, fui alimentando aquilo e ao mesmo tempo nunca se concretizou porque não se concretizaria. Essa é a questão.

E tem outro áudio em que ele me induziu a dizer se eu aceito ou não contribuição de campanha, quando nem candidato eu fui. Eu disse vai lá, indiquei que ele fosse lá…e apenas isso. Eu não tenho um centavo ilícito. Se alguém conseguir um empresário em 15 anos de gestão executiva, um empresário na Paraíba, que tenha dito que eu lhe pedi alguma coisa apresente na hora que eu me enforcaria, eu me suicidaria. Eu tenho absoluta tranquilidade em relação a isso. Eu não preciso estar dizendo que sou honesto. O meu governo foi honesto. Se por acaso alguém lá na ponta fez isso ou aquilo não tem como alguém que governo, por exemplo, ficar sabendo de uma licitação, dessas coisas que uma máquina enorme como a do Estado e dos municípios também que pode fazer concretamente algum desvio. Cabe ao Ministério Público dizer qual. No Rio de Janeiro acusou a Organização Social (OS) e não o Estado. Aqui, o Daniel tinha um contrato magro. Você imagina: Se houvesse algum tipo de combinação, porque é que eu não paguei as dívidas parceladas que ficaram? Ou seja, parcelei, retive aumento, tinha um contrato de R$ 12,5 milhões. Mais de três mil funcionários com carteira assinada, para um Hospital que quando cheguei tinha 148 leitos e eu deixei com 331. Quando eu cheguei tinha 10 leitos de UTI, deixei com 57, isso só no Trauma. Você não vai encontrar um hospital do mesmo porte que o valor seja inferior a R$ 17 milhões ou R$ 18 milhões mensais no Brasil. O nosso era R$ 12,5 milhões e funcionava. Não tinha essa história de queimar gerador e o paciente ficar 50 minutos entubado sem ter ventilação mecânica.

Nós passamos por duas eleições e o Hospital de Trauma não foi pauta de eleição nenhuma, porque funcionava. Se os adversários não atacavam é porque ele funcionava. Todos os trabalhadores tinham carteira assinada porque tinha um Tribunal de Contas dizendo que prestador de serviço é ilegal, codificado é ilegal, e era mesmo. E eu tinha que fazer alguma coisa. A única coisa era ou fazer uma PPP, mercantilizar a rede de saúde, que eu não concordava, ou então contratar uma Organização Social, o que foi feito, não por mim, que eu não faço licitação. E nem um de nós sabia ou acreditaria que uma Cruz Vermelha conhecida em todo o canto, que o Ministério Público foi lá aplaudir junto conosco quando nós contratamos. E, sem dúvida nenhuma, retirou o Trauma daquele caos e fez com que o Hospital funcionasse como fez funcionar. Atendendo gente da Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco multiplicando quase por duas vezes e meia a sua capacidade de atendimento, modernizando os seus equipamentos.

Bolsonaro conclui o mandato?

Eu espero que não. Bolsonaro cometeu diversos crimes: crimes de responsabilidade; contra a segurança sanitária da população, o que é grave. Estamos vivenciando uma pandemia que matou 500 mil pessoas no mundo. Já chegou a 53 mil pessoas só no Brasil. Se você for pesquisar quem morreu de Síndrome Respiratória não Identificada é o dobro disso. É muito sério o que nós estamos vivendo. E você tem um presidente que desde o início atentou contra a saúde da população. Estar há mais de um mês com um ministro que não entende nada de saúde é um atentado. É uma distração o que esse povo faz, mas não é uma distração inocente. É algo programado.

A extrema direita no mundo, ela se remoldou exatamente a partir desse conceito de guerra híbrida. Aqui no Brasil que foi o laboratório do lawfare, derrubaram um governo. E essa derrubada não foi um ato isolado de um juiz que depois mostrou bem quem era. No caso estou falando de Sérgio Moro. Isso foi um ato onde diversas forças convergiram para isso. Vocês lembram que o Congresso começou a votar pauta bomba, praticamente paralisou o governo. Os setores empresariais entraram com bilhões para financiar aquela jornada capitaneada pela Fiesp e, ao mesmo tempo, você teve a presença desse setor do Judiciário que combinava com a acusação, numa tarefa de tirar aquele que, se fosse candidato, ganhando ou não, jamais Bolsonaro teria sido eleito. Não havia essa capacidade. Porque parte do eleitorado lulista migrou para Bolsonaro.

Esse país que começou a vivenciar o governo psicótico, ele tem sofrido muito. Todos os nossos indicadores despencaram: a fome; cobertura social. A proposta de privatização do SUS estava a mil. Eles acabaram com o Mais Médico, com a Farmácia Básica. A ideia é destruir tudo e, ao mesmo tempo, sonhar com o autogolpe. É claro que isso precisava combinar com os demais. O Supremo começou a dar uma resposta forte, correta, em defesa dessa democracia liberal que nós temos. E se o Supremo avança ao lado do TSE evidentemente que esse transtorno psicótico que o país vivenciou e vivencia ainda, ele passará. Porque esse governo precisa ser impedido.

 

Wellington Farias

PB Agora

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