Por Eliabe Castor

As interferências políticas, administrativas e sociais de um gestor que possui, ou possuía, uma cargo eletivo, são despejadas, de forma direta, na sociedade. E quando falo em “despejo”, no caso em pauta, está relacionado a negligenciar ações em benefício do povo. Uma negligência cujo montante tem um valor estratosférico, que vai à casa dos US$ 100 milhões de dólares.

Isso mesmo! Foram US$ 100 milhões de dólares jogados no esgoto do “esquecimento”, local que só ratos e baratas se sentem bem em meio aos dejetos que “residem” em lugar sombrio e fétido.

É claro! A introdução de tal texto tem um sentido metafórico no que diz respeito ao canal tubular do esgotamento sanitário de João Pessoa. Contudo, o real sentido de tal texto é indagar o motivo do ex-prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), em aplicar, apenas, 1,5% desse montante na Capital paraibana.

E aí eu explico minha pergunta, com poucas esperanças de uma resposta plausível do ex-gestor. Qual o motivo de colocar no ostracismo tamanho recurso; recurso esse conseguido no ano de 2018 pelo próprio Luciano Cartaxo, em convênio celebrado entre a Prefeitura Municipal de João Pessoa e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)?

Todo o acordo foi aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, e comemorado de forma efusiva por Cartaxo, que na época comentou sobre a operação com o banco.

Disse ele que a linha de crédito vinha sendo trabalhada desde 2013, por meio da adoção de medidas que atendessem aos critérios do banco e da Secretaria do Tesouro Nacional para aprovação do projeto.

Os recursos deveriam ser destinados ao projeto “João Pessoa Cidade Sustentável”, cujo propósito integrado é incluir intervenções nas áreas de mobilidade urbana, habitação, segurança, meio ambiente e governança na outrora “Capital das acácias”.

Agora, pela falta de competência de Cartaxo e seu ex-secretariado, todo o quantitativo – exceto o 1,5% já aplicado – pode ser cancelado. E é nessa perspectiva que o prefeito Cícero Lucena (PP) vem trabalhando para não perder recurso tão significativo para João Pessoa e os que nela habitam.

O que Cícero pode fazer para evitar o cancelamento dos recursos?

O prefeito Cícero Lucena participou de uma reunião virtual no dia oito de janeiro com integrantes do (BID) a fim de discutir medidas necessárias para agilizar ações pendentes e garantir a aplicação dos recursos.

Na reunião, Lucena reconheceu toda a problemática da não aplicação dos recursos pela pura negligência da gestão passada. Disse ele sobre o imbróglio gerado por Cartaxo.

“O Projeto possui um prazo de cinco anos, mas dois já foram utilizados, tempo em que se aplicou apenas 1,5% do total do financiamento”, informando, mais à frente: “Vamos mostrar, com o apoio do (BID), que iremos trabalhar na velocidade necessária para vencer o atraso e fazer um projeto bem feito, com eficiência e qualidade. Esta será nossa missão e eu estarei acompanhando pessoalmente para garantir que estes recursos sejam aplicados em favor da cidade”.

Desafios de Cícero Lucena

A meta da gestão Cícero Lucena é executar, até o fim deste ano, pelo menos 20% dos recursos do BID – que só libera o dinheiro mediante a apresentação de projetos dentro das especificidades do Programa Cidades Emergentes e Sustentáveis (ICES), lançado pelo banco em 2010.

O conjunto de ações em desenvolvimento pretende preparar a Capital paraibana para os próximos 30 anos. Isso inclui o levantamento das obras iniciadas que já podem ser enquadradas dentro das exigências do banco, como contrapartida para liberação de mais recursos.

Também contempla a revisão do Plano Diretor da cidade, a elaboração de um Plano de descarbonização a partir da criação do Parque do Roger e a urbanização de oito comunidades que vivem às margens do Rio Jaguaribe.

E todos os dias novas minas explosivas são encontradas pela atual gestão. É preciso um grande número de detectores de metais para achá-las no subsolo e, assim, poder desarmar uma a uma.

Tarefa difícil, mas que o povo espera êxito na operação, afinal não são todos os dias que uma cidade recebe uma linha de crédito de tão volumosa, e não se sabe o motivo, um prefeito coloca tal quantitativo na sua gaveta enquanto a população padece por falta de competência do mesmo.

Por Eliabe Castor

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