Por pbagora.com.br

O governador José Maranhão sabe mesmo preservar conceitos. Nesta terça, ao cortar gratificações dos servidores estaduais com uma só canetada, preservou o principal deles quando se trata de si próprio: o de não gostar de servidores.

Foi o primeiro pagamento de Maranhão após assumir o mandato de governador pela terceira vez. Não decepcionou a própria história, marcada pela relação de animosidade com o funcionalismo.

Um setor da administração que Maranhão nunca soube navegar. Muitos dos servidores que tiveram suas gratificações cortadas nesta terça contavam com elas desde o governo Maranhão I e II. E contavam com elas para a obrigações financeiras mensais.

Mas Maranhão, que almoçou por várias vezes enquanto professores da UEPB faziam greve de fome por melhores salários, parece não se sensibilizar com estas historinhas românticas. Ele tem prazer em se mostrar austero, nem que isso tenha que custar o conceito de governante que não gosta de servidores.
 

Assim como os tanques de guerra para intimidar policiais em greve, há marcas que a história não paga. E uma delas é a de que Maranhão passou oito anos no governo sem conceder um real de reajuste salarial.

Esse fosso se acentua em razão do atual governador suceder uma gestão que dedicou mais da metade dos esforços no funcionalismo público. Os 37 Planos de Cargos, Carreiras e Salários aprovados no governo Cássio supõem reajuste salarial para nove em cada dez servidores públicos estaduais. Ao todo, foram 27 concursos públicos, 19.034 vagas criadas, 9.200 convocados e mais de 60 servidores capacitados.

Algumas categorias registraram aumento de 300%. Não há registro na história da Paraíba neste sentido. Especialmente, quando a história é escrita pelas mãos de Maranhão.

No caso em tela, as justificativas serão muitas. Sinais da crise econômica, queda na arrecadação, derrame de gratificações no governo passado. Nenhum delas, no entanto, cabe no entendimento de quem tem compromissos a pagar. E, na maioria dos casos, trabalharam para ganhar o que merecem.

Quem esperava um novo governo com a posse de Maranhão conseguiu o que queria. Este é realmente um novo governo. O anterior investia no funcionalismo.

 

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