Dias atrás elogiei o tirocínio político do velho Maranhão. Tratava sobre a convocação de Guilherme Almeida, deputado do PSB, para o governo estadual. Não poderia ser diferente. O desfecho da história revelou ainda mais o baile político que Maranhão deu no prefeito Ricardo Coutinho.

Quando Maranhão resolveu abrir mão da convocação do deputado para pôr fim à crise interna que o convite gerou ficou a impressão que ele havia “batido pino”. Mas em política, caros leitores, nem tudo que parece é. Maranhão, na verdade, fez que Ricardo Coutinho se transformasse em inimigo mortal de mais uma liderança do PSB, partido do qual o prefeito é presidente.

Primeiro, provocou maliciosamente o prefeito chamando um deputado do PSB para assumir o governo e abrir vaga para Nadja Palitot na Assembléia. Ricardo engoliu a corda. Esbravejou, suou. Estimulou os seus soldados, deliberadamente ou não, a criticar Maranhão e, especialmente, Guilherme Almeida, a quem foram atribuídos, inclusive, crimes de infidelidade partidária.

E, por fim, votaram pelo veto da indicação, enquanto Maranhão assistia a tudo, em que pese ter mais de setenta anos, com olhar de menino travesso. Ou seja, acabaram com o projeto pessoal de Guilherme Almeida. Que perdeu a oportunidade de assumir um cargo (Secretaria de Interiorização da Paraíba) na cidade em que tem pretensões políticas.

Como é que Guilherme Almeida vai esquecer um dia na vida que Ricardo Coutinho e coletivo destruíram esse projeto? Nunca mais. O deputado vai passar a engrossar a lista das lideranças do PSB que têm em Ricardo, presidente do partido, um inimigo mortal, assim como Nadja Palitot, Manoel Júnior, Expedito Pereira e por aí vai…

Quer jogada mais genial que essa?

Em outras e poucas palavras, Maranhão vem minando o PSB de Ricardo fazendo amigos para si e criando inimigos para ele. Para o autor de A Arte da Guerra, Sun Tzu, a maior das virtudes é vencer o adversário sem precisar confrontá-lo. E, por tabela, neste caso específico de Guilherme Almeida, acabou compromentendo ainda mais a imagem do prefeito de João Pessoa em Campina Grande, já que a cidade acabou perdendo o direito de ter um secretário no cargo.

Não seria isso que Maranhão vem fazendo com Ricardo?
 

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