Categorias: Política

Horário político passará “em branco” em muitos municípios

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Na música de Gilberto Gil, a antena parabólica é que leva aos grotões o mundo, traduzido em sinais de televisão. Segundo estimativas da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert),atualmente, cerca de 20 milhões de domicílios no país usam o aparelho. Considerado o tamanho médio da família brasileira (quatro pessoas), o número extrapolaria 80 milhões de habitantes, o equivalente a quase metade da população. Nessas casas, porém, a propaganda eleitoral gratuita estadual, com início marcado para 17 de agosto, passará em branco.

Isso porque as parabólicas sintonizam a chamada banda C — sinal aberto transmitido pelas cabeças de rede das emissoras, por meio de satélite. As cabeças de rede ou emissoras líderes são as responsáveis pela geração dos sinais que serão retransmitidos pelas afiliadas ou participantes. São elas que inserem as propagandas locais. Assim, os espectadores só assistem a comerciais vendidos para transmissão em rede nacional e não recebem nenhum tipo de propaganda eleitoral regional. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a única propaganda eleitoral transmitida pelas cabeças de rede é a dos candidatos à Presidência e deputados federais.

O cientista político Malco Camargos, da PUC Minas, lembra que as cidades menores, que concentram o maior número de parabólicas, geralmente têm pouca densidade eleitoral. Logo, têm menos votos para serem angariados e recebem menor atenção dos políticos. Elas tendem a continuar à margem. Nesses lugares, quem conquista os votos dos eleitores para os governos estaduais e federal são os cabos eleitorais, como prefeitos, vereadores e deputados. “É por meio deles que o eleitor se informa. Mas normalmente você tem um olhar só de um lado. A informação chega fragmentada e em muito menor volume. Por isso a qualidade do voto fica comprometida”, diz Camargos.

Consulta

Para tentar acabar com a confusão do chamado sinal invasor, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou, por unanimidade, que, durante o horário eleitoral gratuito, as emissoras geradoras façam o bloqueio da transmissão para as estações repetidoras e retransmissoras localizadas em municípios diversos. A decisão foi uma resposta à consulta feita pela Abert, nas eleições municipais de 2008. Segundo a determinação, as emissoras ficam obrigadas, já nas próximas eleições, a dar início ao bloqueio dos sinais. No lugar de assistir a propostas de candidatos forasteiros, os eleitores verão apenas uma imagem estática com os dizeres “horário destinado à propaganda eleitoral gratuita”.

 

 

Correio Braziliense

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